quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Até quando?

Que direito tem uma só pessoa de perturbar a vida de tantas outras?
De livremente espezinhar a liberdade dos outros?
De pintar os dias como lhe apetece, com tintas alheias, esborratando tudo em volta?
De acreditar numa existência pretensamente superior e diminuir todos em redor?
De invocar legitimidade para tudo, negando qualquer tipo de responsabilidade? 
De procurar o caminho mais fácil, abrindo buracos para quem vem a seguir?
De propagandear tranquilidade e espalhar ansiedade?
De se orgulhar do seu valor pessoal humilhando tudo quanto são Valores universais?
De repousar sobre a exaustão de quem não tem descanso?
De atravessar o traço contínuo que separa dois percursos em sentidos contrários...

Qual terrorista ao volante de um veículo desgovernado...?
...Abalroará alguém ou será abalroado?


Sofia Cardoso
01 de novembro de 2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saudade

Pensa em ti
(Muito…)
Todos os dias.
E todos os dias
(Muitas vezes)
Se pergunta porquê.
Teimosia,
Desejo,
Sonho,
Idealização,
Ousadia…
Finge não pensar.
De nada lhe serve.
Nem fingir,
Nem pensar.
Há qualquer coisa,
Sente que há,
Inexplicável,
Incontrolável,
Impossível
De ignorar.
Mas o quê
E para quê,
Se não te ouve,
Nem vê,
Sequer te lê
Ou te pode abraçar.
E como lamenta…
Porque a saudade,
Entendida ou não,
Partilhada ou solitária,
É real, atormenta,
Dói estupidamente.
Esquece!
Grita-lhe,
Autoritária,
A razão.
Não consigo…
Murmura-lhe,
Humildemente,
O coração.


Sofia Cardoso
30 de outubro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Sou eu...

Sou eu…
Aquele que faz parte de ti desde o início, que te conhece de dentro para fora, que te lê o coração e o traduz por ação ou omissão.
Por cá continuo, porque sei que não vives um dia sem mim, simplesmente porque não consegues e sorte, tens tu, de seres assim.
Só que há muito que não sou o mesmo, ainda que aos olhos dos outros não pareça, tu sabes bem porquê e eu não te tiro a razão, mas tenho saudades de espelhar a tua alma com a alegria de quem vive por paixão.
É muito fácil deixar-me ser visto em qualquer circunstância, mesmo que timidamente, só porque sou quase automático em ti e, na realidade, nunca me senti perdido. Mas o meu verdadeiro brilho anda desaparecido.
Não duvides de que tens sido uma corajosa. Já eu, não sei se estou mais para arma secreta ou para escudo protetor, nas batalhas que tens enfrentado.
Não quero cobrar-te o que de ti não depende. Só quero que saibas que não desisti. Porque sei que vai chegar o dia em que voltarei a brilhar, de felicidade genuína, rasgado.
Até lá, só te peço que não deixes de acreditar que cada dia que passar é menos um desta contagem que já cansa mas não te esgota e que me continues a levar contigo, para onde fores, aconteça o que acontecer.
Lembra-te, sou aquele que faz parte de ti desde o início e para sempre o caminho mais bonito para chegares aos outros neste mundo sem juízo.
Sou eu…
…O teu sorriso.



Sofia Cardoso
22 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Subconsciente

O nosso subconsciente é tramado...
Adormeci na firme convicção de ter posto um ponto final em delírios solitários do coração e tive um sonho cuja intensidade só pedia pontos de exclamação, daqueles que põe fim a frases que não exprimem propriamente espanto mas verdadeira emoção, com um toque de surpresa ou mesmo de medo, no melhor e mais arrebatador dos sentidos.
Arrebatador... Sim, é isso mesmo. Não sei de onde veio esta avalanche de imagens de acelerar a respiração, que ganhou vida sequencial no meu cérebro enquanto dormia, de forma a fazer-me acordar com a sensação de ter corrido a maratona contigo.
C'um caraças! Tantas vezes que sonho e só acordo com sombras do que vivi que se desvanecem sem ter sequer tempo de as questionar e hoje até os mais ínfimos pormenores ficaram gravados...! [Suspiro]
Sábado, seis da manhã, podia e devia estar tranquilamente a descansar mas escrevo... De novo (ou ainda) a pensar estupidamente em ti, sem saber o que fazer ao sonho que não posso propriamente descrever aqui.
Basicamente, vieste fazer amor comigo esta noite e não sabes, o que será, no mínimo, desconcertante. E o pior desta treta toda é que, assim que abri os olhos, obviamente já não estavas, não estás e não estarás.
Entretanto, são quase sete da manhã, e antes de voltar a fechar os olhos, pergunto-me apenas onde andarás...
[Para além de no meu pensamento que não entende este tipo raro de sentimento]


Sofia Cardoso
14 de outubro de 2017

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Restart

Sejamos crescidinhos e falemos de orgulho ou da desnecessidade dele nas nossas (tão curtas) vidas…
Nunca fui de tomar as dores alheias. Mesmo sem deixar de proteger os meus, não costumo tirar partidos afetando as minhas próprias relações.
Em regra, consigo estar entre trincheiras quando a guerra não é minha. A exceção dá-se quando sou atingida no meio dela, intencionalmente, mesmo que só ferida de raspão.
Aí, defendo-me como consigo e normalmente, como não gosto de confrontos, bato em retirada, magoada ou mesmo zangada, não como forma cobarde de fuga mas como meio de proteção.  
Não sou rancorosa. De resto, quando as situações nem graves são ou os envolvidos não são pessoas decisivas na minha vida, quase esqueço a causa do desentendimento, o que não implica necessariamente tréguas ou reconciliação imediata.
Tudo tem o seu tempo e podíamos até nunca mais ter-nos cruzado novamente mas cruzámos e, lá está, porque não sou orgulhosa nem casmurra, dado o profissionalismo (e o respeito pelo mesmo) do contexto que nos recolocou frente a frente, tudo acabou naturalmente por ter, do zero, recomeçado.
As guerras são todas inúteis, sejam quais forem as causas e respetivos argumentos mas da mesma forma como cada um é livre de as travar consigo mesmo e/ou com os outros, é igualmente livre de, a todo o momento, lhes por fim.
Acontece que esta não era minha sequer, terminou há muito e hoje cada um dos lados venceu e é feliz como quis, pelo que, quanto a mim, bandeira branca oficialmente levantada, não só mas também (e de novo) só porque sim.

  




Sofia Cardoso
03 de outubro de 2017