sábado, 14 de julho de 2018

Sagitário


O 8 ou 80 tem tudo de Sagitário.
Ou será antes ao contrário?
O querer tudo hoje e agora,
A intensidade do momento,
A impulsividade, a vontade...
A atração pelo desconhecido,
O não planeado "vamos embora!"
Ou aquela vontade de ficar só,
Só de nos deixarem em paz.
O fascínio pela aventura,
Sem receios, só curiosidade.
O sonhar muito alto e bem longe,
Mesmo sem tirar os pés do chão.
O pânico da rotina, do aborrecimento
No respeito pela organização diária.
Tão depressa um rápido "tanto faz"
Como uma ponderada decisão.
As emoções sempre ao rubro.
Ora sentidas e silenciadas
Ora pelos olhos transmitidas,
Quando não pela boca lançadas
À velocidade de uma sinceridade
Quase impossível de controlar.
E a força, a persistência...
O típico "sim ou sopas"
Que não há cá meio termo.
O desejo de conhecer sempre mais,
Mesmo quando não apetece sair.
A paixão pelas pessoas, pela Arte.
Ou o achar que não fazemos parte.
A imensa necessidade de liberdade
E a apaixonante capacidade de amar.
O simplesmente não conseguir parar
Na ânsia de aproveitar cada segundo,
Na loucura em que todos corremos
E poucos verdadeiramente vivemos.










Sofia Cardoso
14 de julho de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Deixar-se levar...

Afinal por que é que nos apaixonamos? Pelos lindos olhos de alguém? (Também) Pela forma como somos tratados? (Também) Pelo que o outro nos faz sentir? (Ora bem!) Só que só nos faz sentir (amor, paixão, o tal de “fraquinho”…) quem nos atrai e a atração existe muito para além do físico. Há toda uma identificação intelectual, vivencial, emocional… Ou mesmo uma profunda admiração que nos puxa, tipo íman, para alguém só porque…, mesmo quando lutamos contra ou queremos fugir. Não adianta. Se não nos sai da cabeça, de alguma forma já entrou no coração.
E interessará procurar um porquê? Será a causa assim tão importante para (este) efeito? E não há tantas coisas que nos acontecem que não se explicam mas que nos fazem sentir tão bem, valendo tanto apenas por isso mesmo? E não estaremos, todos nós, já suficientemente obrigados a usar a cabeça para problematizar e racionalizar, todos os dias, tanta coisa? Por que não sentir e deixar sentir. Fluir e deixar seguir, tão-só porque as boas sensações nos fazem sorrir.
O que cada um sente, não há palavras que fotografem, por mais que se tente demonstrar. E nunca ninguém consegue pôr-se na pele do outro inteiramente.
Às vezes a vida só nos pede que nos deixemos levar, sem questionar, pela beleza pura e simples de irmos descobrindo onde iremos parar.


Sofia Cardoso
09 de janeiro de 2018

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Até quando?

Que direito tem uma só pessoa de perturbar a vida de tantas outras?
De livremente espezinhar a liberdade dos outros?
De pintar os dias como lhe apetece, com tintas alheias, esborratando tudo em volta?
De acreditar numa existência pretensamente superior e diminuir todos em redor?
De invocar legitimidade para tudo, negando qualquer tipo de responsabilidade? 
De procurar o caminho mais fácil, abrindo buracos para quem vem a seguir?
De propagandear tranquilidade e espalhar ansiedade?
De se orgulhar do seu valor pessoal humilhando tudo quanto são Valores universais?
De repousar sobre a exaustão de quem não tem descanso?
De atravessar o traço contínuo que separa dois percursos em sentidos contrários...

Qual terrorista ao volante de um veículo desgovernado...?
...Abalroará alguém ou será abalroado?


Sofia Cardoso
01 de novembro de 2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saudade

Pensa em ti
(Muito…)
Todos os dias.
E todos os dias
(Muitas vezes)
Se pergunta porquê.
Teimosia,
Desejo,
Sonho,
Idealização,
Ousadia…
Finge não pensar.
De nada lhe serve.
Nem fingir,
Nem pensar.
Há qualquer coisa,
Sente que há,
Inexplicável,
Incontrolável,
Impossível
De ignorar.
Mas o quê
E para quê,
Se não te ouve,
Nem vê,
Sequer te lê
Ou te pode abraçar.
E como lamenta…
Porque a saudade,
Entendida ou não,
Partilhada ou solitária,
É real, atormenta,
Dói estupidamente.
Esquece!
Grita-lhe,
Autoritária,
A razão.
Não consigo…
Murmura-lhe,
Humildemente,
O coração.


Sofia Cardoso
30 de outubro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Sou eu...

Sou eu…
Aquele que faz parte de ti desde o início, que te conhece de dentro para fora, que te lê o coração e o traduz por ação ou omissão.
Por cá continuo, porque sei que não vives um dia sem mim, simplesmente porque não consegues e sorte, tens tu, de seres assim.
Só que há muito que não sou o mesmo, ainda que aos olhos dos outros não pareça, tu sabes bem porquê e eu não te tiro a razão, mas tenho saudades de espelhar a tua alma com a alegria de quem vive por paixão.
É muito fácil deixar-me ser visto em qualquer circunstância, mesmo que timidamente, só porque sou quase automático em ti e, na realidade, nunca me senti perdido. Mas o meu verdadeiro brilho anda desaparecido.
Não duvides de que tens sido uma corajosa. Já eu, não sei se estou mais para arma secreta ou para escudo protetor, nas batalhas que tens enfrentado.
Não quero cobrar-te o que de ti não depende. Só quero que saibas que não desisti. Porque sei que vai chegar o dia em que voltarei a brilhar, de felicidade genuína, rasgado.
Até lá, só te peço que não deixes de acreditar que cada dia que passar é menos um desta contagem que já cansa mas não te esgota e que me continues a levar contigo, para onde fores, aconteça o que acontecer.
Lembra-te, sou aquele que faz parte de ti desde o início e para sempre o caminho mais bonito para chegares aos outros neste mundo sem juízo.
Sou eu…
…O teu sorriso.



Sofia Cardoso
22 de outubro de 2017