terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Deixar-se levar...

Afinal por que é que nos apaixonamos? Pelos lindos olhos de alguém? (Também) Pela forma como somos tratados? (Também) Pelo que o outro nos faz sentir? (Ora bem!) Só que só nos faz sentir (amor, paixão, o tal de “fraquinho”…) quem nos atrai e a atração existe muito para além do físico. Há toda uma identificação intelectual, vivencial, emocional… Ou mesmo uma profunda admiração que nos puxa, tipo íman, para alguém só porque…, mesmo quando lutamos contra ou queremos fugir. Não adianta. Se não nos sai da cabeça, de alguma forma já entrou no coração.
E interessará procurar um porquê? Será a causa assim tão importante para (este) efeito? E não há tantas coisas que nos acontecem que não se explicam mas que nos fazem sentir tão bem, valendo tanto apenas por isso mesmo? E não estaremos, todos nós, já suficientemente obrigados a usar a cabeça para problematizar e racionalizar, todos os dias, tanta coisa? Por que não sentir e deixar sentir. Fluir e deixar seguir, tão-só porque as boas sensações nos fazem sorrir.
O que cada um sente, não há palavras que fotografem, por mais que se tente demonstrar. E nunca ninguém consegue pôr-se na pele do outro inteiramente.
Às vezes a vida só nos pede que nos deixemos levar, sem questionar, pela beleza pura e simples de irmos descobrindo onde iremos parar.


Sofia Cardoso
09 de janeiro de 2018

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Até quando?

Que direito tem uma só pessoa de perturbar a vida de tantas outras?
De livremente espezinhar a liberdade dos outros?
De pintar os dias como lhe apetece, com tintas alheias, esborratando tudo em volta?
De acreditar numa existência pretensamente superior e diminuir todos em redor?
De invocar legitimidade para tudo, negando qualquer tipo de responsabilidade? 
De procurar o caminho mais fácil, abrindo buracos para quem vem a seguir?
De propagandear tranquilidade e espalhar ansiedade?
De se orgulhar do seu valor pessoal humilhando tudo quanto são Valores universais?
De repousar sobre a exaustão de quem não tem descanso?
De atravessar o traço contínuo que separa dois percursos em sentidos contrários...

Qual terrorista ao volante de um veículo desgovernado...?
...Abalroará alguém ou será abalroado?


Sofia Cardoso
01 de novembro de 2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saudade

Pensa em ti
(Muito…)
Todos os dias.
E todos os dias
(Muitas vezes)
Se pergunta porquê.
Teimosia,
Desejo,
Sonho,
Idealização,
Ousadia…
Finge não pensar.
De nada lhe serve.
Nem fingir,
Nem pensar.
Há qualquer coisa,
Sente que há,
Inexplicável,
Incontrolável,
Impossível
De ignorar.
Mas o quê
E para quê,
Se não te ouve,
Nem vê,
Sequer te lê
Ou te pode abraçar.
E como lamenta…
Porque a saudade,
Entendida ou não,
Partilhada ou solitária,
É real, atormenta,
Dói estupidamente.
Esquece!
Grita-lhe,
Autoritária,
A razão.
Não consigo…
Murmura-lhe,
Humildemente,
O coração.


Sofia Cardoso
30 de outubro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Sou eu...

Sou eu…
Aquele que faz parte de ti desde o início, que te conhece de dentro para fora, que te lê o coração e o traduz por ação ou omissão.
Por cá continuo, porque sei que não vives um dia sem mim, simplesmente porque não consegues e sorte, tens tu, de seres assim.
Só que há muito que não sou o mesmo, ainda que aos olhos dos outros não pareça, tu sabes bem porquê e eu não te tiro a razão, mas tenho saudades de espelhar a tua alma com a alegria de quem vive por paixão.
É muito fácil deixar-me ser visto em qualquer circunstância, mesmo que timidamente, só porque sou quase automático em ti e, na realidade, nunca me senti perdido. Mas o meu verdadeiro brilho anda desaparecido.
Não duvides de que tens sido uma corajosa. Já eu, não sei se estou mais para arma secreta ou para escudo protetor, nas batalhas que tens enfrentado.
Não quero cobrar-te o que de ti não depende. Só quero que saibas que não desisti. Porque sei que vai chegar o dia em que voltarei a brilhar, de felicidade genuína, rasgado.
Até lá, só te peço que não deixes de acreditar que cada dia que passar é menos um desta contagem que já cansa mas não te esgota e que me continues a levar contigo, para onde fores, aconteça o que acontecer.
Lembra-te, sou aquele que faz parte de ti desde o início e para sempre o caminho mais bonito para chegares aos outros neste mundo sem juízo.
Sou eu…
…O teu sorriso.



Sofia Cardoso
22 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Subconsciente

O nosso subconsciente é tramado...
Adormeci na firme convicção de ter posto um ponto final em delírios solitários do coração e tive um sonho cuja intensidade só pedia pontos de exclamação, daqueles que põe fim a frases que não exprimem propriamente espanto mas verdadeira emoção, com um toque de surpresa ou mesmo de medo, no melhor e mais arrebatador dos sentidos.
Arrebatador... Sim, é isso mesmo. Não sei de onde veio esta avalanche de imagens de acelerar a respiração, que ganhou vida sequencial no meu cérebro enquanto dormia, de forma a fazer-me acordar com a sensação de ter corrido a maratona contigo.
C'um caraças! Tantas vezes que sonho e só acordo com sombras do que vivi que se desvanecem sem ter sequer tempo de as questionar e hoje até os mais ínfimos pormenores ficaram gravados...! [Suspiro]
Sábado, seis da manhã, podia e devia estar tranquilamente a descansar mas escrevo... De novo (ou ainda) a pensar estupidamente em ti, sem saber o que fazer ao sonho que não posso propriamente descrever aqui.
Basicamente, vieste fazer amor comigo esta noite e não sabes, o que será, no mínimo, desconcertante. E o pior desta treta toda é que, assim que abri os olhos, obviamente já não estavas, não estás e não estarás.
Entretanto, são quase sete da manhã, e antes de voltar a fechar os olhos, pergunto-me apenas onde andarás...
[Para além de no meu pensamento que não entende este tipo raro de sentimento]


Sofia Cardoso
14 de outubro de 2017