quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Efeito Rebanho

Nunca fui muito de modas, daí que aquela velha história de um faz e, por qualquer razão estranha, de repente vai tudo atrás, sempre foi algo que me irritou solenemente, até porque nunca gostei de ter quem me limitasse o horizonte ou guiasse no percurso.
Para além de ser um fenómeno revelador de falta de personalidade, é também, lamentavelmente, um indicador da preguiça que a malta tem hoje de pensar pelos seus próprios cornos, afinal quem se passeia em rebanho só pode ser carneiro, ovelha, bode ou cabra.
O que acontece hoje ao nível das redes sociais é sintomático. Surge uma polémica qualquer e o impulso de partilhar é mais forte do que a seca de ponderar. Não interessa de onde surgiu, porque surgiu ou como surgiu a questão. Se estão todos a pronunciar-se e a passar palavra, siga! - “Não serei eu a ovelha negra…” – Tira-me do sério este pensamento pequenino!
Às vezes, o próprio alvo de discussão é tão medíocre que a atenção que lhe é dada é também pura energia desperdiçada.
Na verdade, o nosso momento é tão curto que deixá-lo nas mãos do que os outros pensam, dizem ou fazem é, para mim, uma tremenda bestialidade.
Não tenho a mania, nem sou de modelitos exclusivos mas digamos que, não sendo pura nem virgem, orgulho-me de exibir a minha própria lã.
A propósito, também é muitas vezes anedótico o que acontece no mundo da moda. Há quem atropele espelhos e balanças na corrida desenfreada pelo que está na berra, perante o verdadeiro berro (de susto!) de quem observa, incrédulo, a parvoeira de um hipopótamo se querer igualar a uma girafa. Simplesmente, não faz sentido.
Enfim, seja por falta de personalidade, seja por falta de estilo, irrita-me que as pessoas vistam uma pele que não é a sua para viver numa redoma de aparente segurança e espírito de grupo.
Afirmar-se não é tão fácil como seguir cegamente exemplos alheios, como faz muitas vezes o adolescente que começa a fumar ou a experimentar drogas só para não ficar para trás… Exige visão, firmeza, garra e convicção. Forças que vêm de dentro e que constroem barreiras às fraquezas que possam vir de fora.
Neste tempo louco, há que ser forte e ousar ser diferente, pensar diferente, sentir diferente e, só assim, fazer a diferença!  
Sejamos genuínos, inteligentes, oportunos e brilhantes; não ovelhinhas amorfas e pedantes!

Sofia Cardoso
13 de janeiro de 2013

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