sábado, 11 de outubro de 2014

Sempre Mais

Lançada ao mundo, tenho uma garantia: uma só vida para viver perante milhares de caminhos transitáveis. Saber quanto tempo durará a viagem, está fora do meu alcance mas idealizar como decorrerá, é meu dever.
Felizmente, nunca cometi o erro de achar que o mundo gira à minha volta. Sempre tive, antes, a firme convicção de que sou eu que devo circular muito para o acompanhar e sugar dele o mais que consiga ou sugada serei eu.
Assumi o compromisso de viver cada dia da forma mais intensa possível, o melhor possível, exigindo tudo de mim até ao limite do que me for possível. Ficar-me pelo “e se”, está fora de questão. Luto pelo “consegui!” Move-me o fascínio de não saber o que vem a seguir e, ainda assim, ansiá-lo. Abro os braços ao hoje expectando o amanhã, com a ousadia de quem renega a normalidade e a coragem de quem se atreve a enfrentar a dubiedade. Não vivo por viver. Vivo por prazer!
Odeio amarras. Amo ter asas. Não encaro o futuro como um dado adquirido. Sei-o sempre à minha frente mas não à minha espera. O tempo é impiedoso. Se não correr atrás do que desejo, posso estar a virar as costas, a cada segundo que passa, à oportunidade de o concretizar. O receio é o maior inimigo da conquista…
A rotina, ideal e segura para alguns, é tortura para mim. Busco sempre mais, algo que faça a diferença, que some pontos no enriquecimento da minha experiência de vida, que me realize mais e mais. Recuso ser só mais uma a deambular por aí, a encolher os ombros, no conformismo do mais ou menos. Só quero saber do mais. Que se lixe o menos! Se não ouso, não gozo.
É tão simples quanto isto: o mar é realmente maravilhoso. Contudo, limitar-me a contemplá-lo, ainda que comodamente sentada na areia, torna-se monótono. Afunda-se a emoção de desvendar o que está para além da rebentação. Prefiro mil vezes a ação. Lançar-me a ele a bordo de um barco à vela – como já o fiz – e partir à aventura, mesmo sabendo que vou enjoar assim que sair da barra – como já aconteceu – mesmo que as ondas tenham que me passar violentamente por cima fazendo-me sentir medo – como já senti – e só assim, apostando tudo, ter a certeza que durante todo esse tempo estive plenamente viva e amei.
Sofia Cardoso
27 de janeiro de 2013

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