domingo, 30 de novembro de 2014

Ser ou Não Ser...

Não sou ingénua.
Sou crédula, otimista.

Não sou cega.
Mantenho o negativo longe da vista.

Não sou perfeita.
Sou empenhada, perfecionista.

Não sou resignada.
Antes decidida, nada comodista.

Não sou sonsa.
Sou sonhadora, idealista.

Não sou cobarde.
Luto pelo prazer da conquista.

Não sou santa.
Sou preocupada, altruísta.

Não sou invencível.
A minha vida é realista.

Não sou medrosa.
Sou cautelosa, pacifista.

Não sou interesseira,
Prefiro a dádiva imprevista.

Não sou ferrenha.
Sou apoiante, benfiquista.

Não sou intransigente.
É do coração que sou apologista.

Não sou sedentária.
Sou curiosa, turista.

Não sou rica.
Sou muito pouco materialista.

Não sou complicada.
Sou pormenorizada, simbolista.

Não sou convencida.
Admiro-me sem ser narcisista.

Não sou imparável.
Sou enérgica, desportista.

Não sou submissa.
Repudio a mentalidade machista.

Não sou paciente.
Sou impulsiva, artista.

Não sou modesta.
Ser feliz está no topo da lista.


Sofia Cardoso
30 de novembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

Voltar "à terra"...

Há meses que não vou à terra…! “Vou à terra…” Adoro esta expressão mas continuo a achar que se adequa mais à situação de alguém que veio de um meio pequeno para a cidade grande. É que o meu caso é exatamente o inverso. O de alguém que saiu da cidade grande (“A” cidade grande!) para, justamente, a “terr(inh)a”.
Vendo bem, o que interessa a dimensão da terra… Desde que se trate da terra que nos viu nascer e viver grande parte da vida; desde que se trate da NOSSA terra, pouco mais há a dizer. Custa partir, anseia-se sempre regressar. É algo que se sente muito para além das palavras…  
Nós, portugueses, somos deveras saudosistas e eu, então, céus…! Pois, não sei se é intrínseco ao meu ser, se é mesmo uma coisa generalizada que faz parte de todos nós, especialmente aqueles que, como eu, já “partiram” sem data para voltar, mas sei que às vezes dói…
Por mais anos que passem e que gostemos do local que escolhemos para viver, parece que mantemos uma espécie de cordão umbilical eterno com o local onde nascemos e fomos criados.
Não que isto seja uma coisa má. Claro que não é porque o ser humano precisa de raízes, de se identificar com alguma coisa, de criar laços com os locais e as pessoas.
Contudo, custa… Não é fácil porque, de repente, damo-nos conta das potencialidades desse local que deixámos para trás, de possibilidades que antes eram banais porque estavam sempre lá mas que, ao deixarem de estar, nos fazem sentir que as perdemos e a sensação de perda nunca é boa…
Só que depois vem o lado bom da história: o regresso… Quando se sente a falta de algo e, nem que por breves momentos (horas ou dias, tanto faz!), se tem a possibilidade de voltar e fazer o que se gosta e não se tem oportunidade onde vivemos, acima de tudo, estar perto de quem regularmente está longe… Enfim, aquilo a que, basicamente, se chama: “matar saudades”… E sabe tão bem…!
Diz-se que só damos o devido valor às coisas quando as perdemos. Talvez… Mas, quando perdemos por opção, não perdemos verdadeiramente, abdicamos e por isso não há que temer. Há que partir, seguir o coração... Ele guia-nos sempre, mesmo que isso implique deixar na “terra” a razão. 


                                       
Sofia Cardoso
29 de novembro de 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Grey Hair Rules!

Estou naquela idade em que os cabelos brancos (no meu caso, herança paterna) parecem multiplicar-se a olhos vistos.
Verdade seja dita, há muito que por cá andam, meio escondidos porque a cabeleira é farta, mas andam!
Sinceramente, não sou muito dramática em relação a isso, até porque se os admiro nos outros, por que não os admirar em mim?
Quando oiço à minha volta amigas preocupadas com o assunto, deduzo que a grande questão para a maioria será de ordem estética e até compreendo, só não o sinto da mesma forma.
Para mim a questão está mais na consciencialização de que os anos passam e não tanto no facto de ficar menos atraente ou envelhecida.
Mais, adoro ver uma mulher de meia-idade orgulhosa lá do alto do seu cabelo grisalho. Mais adoro as avozinhas branquinhas, como o era a minha saudosa Gun-Gum… Linda…!
Contudo, também tenho que reconhecer que há uma fase transitória, daquelas típicas do “não é carne, nem é peixe” que não nos deve favorecer sobremaneira. Bem, não há bela sem senão, não é assim?
Faço umas nuances para valorizar o tom do meu cabelo sem qualquer intenção de esconder o que quer que seja e os que antes se escondiam timidamente por baixo de outros, começam agora a sair da casca e a atrever-se à aparecer mesmo perto da testa. Sei onde estão e deixo-os lá estar. Tenho esperança de vir a ser uma cota giraça. LOL
Pintar é que não me parece. Não quero passar a ser prisioneira daqueles que surgem porque têm que surgir, porque amadurecer faz parte da lei natural das coisas e não há que temer ou fugir disso, digo eu, à beira dos 35. E, de resto, à velocidade de TGV que cresce o meu cabelo, teria que andar sempre no cabeleireiro e, isso sim, seria um drama para mim que não tenho paciência para manhãs inteiras imobilizada, mesmo que seja numa poltrona e para ficar bonita.
Cá por mim, enquanto continuar a sentir-me uma jovem de corpo e alma, os cinzentinhos da cabeça não vão impedir que continue a ser bem colorida de coração. 




Sofia Cardoso
25 de novembro 
de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

Dia Não

Há dias assim…
Dias não.
Tudo está bem,
Até um senão…
Ou tudo começa mal
E continua até mais não.
Cinzentos e escuros
Como o alcatrão,
Ou simplesmente sem cor
Se perdida a inspiração…
Não se sabe quando,
Sabe-se apenas que virão
Mais dia, menos dia
Outros de negação…
Em que reina a tristeza…
E impera a frustração.
Quando se é perfecionista,
Sair da linha é uma aflição.
Vem-se lá do alto
Embater com força no chão.
Fôssemos avestruzes
E a cabeça abriria um buracão,
Nestes dias intermináveis,
Manhosos por definição.
Valha-nos o amanhã
Que o hoje já não tem correção.







Sofia Cardoso
06 de abril de 2011

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ah Ah Ah Ah! =D


Amo uma boa gargalhada. É daquelas coisas que me dá mesmo gozo, sobretudo se for daquelas que não consigo controlar, que se solta sem pedir licença e que não parece ter fim.
Soltar uma dessas, quase ficando sem fôlego, pode muito bem representar o melhor momento de um dia!
Não estou a falar de uma gargalhada qualquer… Estou mesmo a referir-me àquelas explosões que nos fazem agarrar à barriga e fechar os olhos, cheia de rugas de expressão, but who cares?! Estão a ver?
Tenho uma amiga que está a ver de certeza. É a dona das gargalhadas mais estridentes e contagiantes que conheço. As melhores…!
Quando ela solta uma destas, abre e fecha as narinas e chora!
Só de a imaginar, já me estou a rir! É tão engraçado. E era tão especial gargalhar com ela na infância a ponto de soltar leite pelo nariz ou de ter que fugir a correr para a casa de banho… É que era mesmo assim!
Não faço ideia do que nos fazia gargalhar a esse ponto, não me lembro, nem é isso que conta para a recordação ser forte e bonita, mas não devia ser preciso muito, afinal éramos crianças e crianças bem divertidas!
Se me perguntarem porque é que gargalhei desta maneira da última vez, já nem sei, pois é, precisamente esse, o poder que uma gargalhada tem, a sua espontaneidade… Dá cá um gozo…! Parece que por minutos saímos de nós e pairamos num outro mundo, de fantasia, rodeados de estrelinhas…
Por alguma razão se diz que rir faz bem à saúde. À minha faz maravilhas, de certeza! Pudesse eu gargalhar assim todos os dias e viveria até aos cem!
Acontece, porém, que como tudo o que dá verdadeiro prazer, também uma gargalhada não é gratuita ou trivial. Uma destas, só se solta perante alguém especial, num momento especial e daí ser sempre única.
Que sensação espetacular! Ficar-nos a doer as bochechas, a barriga e faltar-nos o ar…!
E, sim, há muitas outras formas de nos faltar o ar. Contudo, esta está seguramente no topo da minha lista de sensações a colecionar!








Sofia Cardoso
18 de novembro de 2014

sábado, 15 de novembro de 2014

Semear bem para melhor colher

A criança que tudo tem
Olhará a necessidade com desdém.
A criança que não é elogiada
Sentirá a sua autoestima menosprezada.
A criança que não ouve um não
Será caprichosa até à exaustão.
A criança que não é ouvida
Crescerá desiludida.
A criança que encontra tudo feito
Encarará a dificuldade com despeito.
A criança que é injustiçada
Crescerá revoltada.
A criança que não é acarinhada
Verá no amor uma encruzilhada.
A criança que não convive com o respeito
Tratará o próximo com preconceito.
A criança que cresce fechada
Sentir-se-á sempre limitada.
A criança a quem tudo é facilitado
Desconhecerá o sabor dum sonho realizado.
A criança que não vive em harmonia
Fará do conflito o dia-a-dia.
A criança que assiste à traição
Acreditará que fidelidade é ficção.
A criança que não vê dificuldade na conquista
Transformar-se-á num adulto egoísta.
A criança que cresce com medo
Temerá sempre em segredo.

A criança que é superprotegida
Nunca será uma pessoa destemida.
A criança que não participa na solidariedade
Nunca entenderá o valor da humildade.

A criança que sem valores é educada
Será mais uma pessoa despreparada
Porque só a semente bem enraizada
Pode ser devidamente cultivada.








Sofia Cardoso
15 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Coração na Ponta da Caneta

O nosso coração está sempre a ser posto à prova. Ora anda na boca, ora na mão, ora salta do peito, ora cai aos pés, despedaçando-se no chão…
E tudo isto sob o olhar vigilante, crítico, reprovador até, do prepotente e chato do cérebro que tem a mania que sabe tudo e que o quer dominar a todo o custo, pregando-lhe sermões como se fosse dono do corpo.
A eterna disputa…
Um, no topo, a cantar de galo. O outro, no centro, a piar fininho. E discutem como feras, sabe-se lá para quê, já que dificilmente algum sai vencedor.
A verdade é que não vivem um sem o outro, qual gato e rato que não se entendem mas se perseguem num ciclo vicioso, incessante, incansável e tantas vezes insuportável!
Aqui dentro funciona assim. O coração tanto palpita sobre tudo e com tanta força que escorre pela caneta a veia literária que traduz cada batida, por cada pormenor que o faz "bombar", bombear e bobear!
Ainda assim, bem vistas as coisas, quem comanda a mão que segura a caneta é o outro, o convencido do cérebro que se intitula dono e senhor desta capacidade.
Tudo bem, meus caros, justiça vos seja feita admiro-os aos dois e não vivo sem ambos, por isso é que escrevo com um o que sinto com o outro…

Sofia Cardoso
14 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Sonho Real

Um dia deseja-se…
No outro sofre-se
Quando tudo se complica
E a dor se intensifica.

Só que o desejo é mais forte,
O sonho é o mais lindo
E a vontade alia-se à sorte
Cheia de força, nem sempre sorrindo…

Acredita-se, persiste-se…
Enfrenta-se o que preciso
Para alcançar a vitória.
Até que, por fim, chega-se,
Merecidamente, ao paraíso
De um “positivo” recebido em glória.

Porque quanto mais difícil o caminho
Mais gratificante a conquista,
E melhor saberá cada miminho
De um amor a perder de vista.

Um amor que começou há muito
Cujo rosto finalmente se revelou.
O orgulho de um amor gratuito
Que lutou, chorou e hoje vingou!

E é tão bom sonhar…!
E valeu tanto a pena esperar…
De corpo e alma se entregar
Para este dia poder festejar!

A luta não era minha
Mas admirava-a tão profundamente
Que, acreditando, com tudo o que tinha,
Torci muito e apaixonadamente.

De lágrima no olho, recebi a notícia
De que a caminho vinha uma delícia…
E, enfim, hoje, imensamente feliz,
Dou-te as boas vindas, Maria Beatriz!

Parabéns à mamã guerreira
E ao pai, seu companheiro.
Que a alegria vos guie a vida inteira
E o coração seja o vosso melhor conselheiro.



Sofia Cardoso
11 de novembro de 2014 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Lar

Sinto-me uma privilegiada. Sinto mesmo…! Daquelas que acha que do pouco se pode retirar muito e, melhor do que isso, daquelas que consegue pô-lo em prática!
Muitas vezes não o faço sozinha, tenho a felicidade de ter vindo a conhecer pessoas ao longo da minha caminhada que me ajudam nessa tarefa de ser feliz na trivialidade, basicamente, porque pensam e agem com a mesma motivação, no mesmo sentido. E esses raios de sol compensam todas as nuvens negras (porque sempre as há pelo caminho…)
É muito mais fácil do que parece, a sério! É só estar um bocadinho atento…
Tão simples como isto: podemos sair de casa debaixo de um dia horrivelmente chuvoso e frio, talvez até apanhar uma molha e soltar ainda um atchim ou dois mas, se calhar, apanhámos a dita molha só no percurso até ao carro que depois nos levou confortavelmente e em segurança até ao emprego e depois de volta a casa onde, com sorte, até temos um super marido ou uma super mulher que ainda nos faz um chazinho com umas torradinhas ou nos diz que descansemos no sofá que ele/a trata dos miúdos. E o que interessa é que estamos juntos, no aconchego do nosso lar.
E nem é preciso ir muito longe (sair de casa, digo.) Há pequenos gestos ou palavras que revigoram os nossos dias, o nosso humor. Um sorriso, um abraço, um obrigado, um incentivo, um elogio, uma mensagem de afeto, um "adoro-te!" logo seguido de um "és a melhor mãe/pai do mundo!", um “deixa estar que eu arrumo a cozinha” depois do jantar, quando o outro cozinhou, ou mesmo um “hoje faço eu o jantar!” E um dia é um, no dia seguinte, o outro, já que a união e a partilha são isto mesmo… Dar, receber, retribuir e assim sucessivamente. Naturalmente, sem cobranças, sem exigências, de coração puro, sincero, disponível e recetivo.
Não há nada mais reconfortante do que sentir que temos um cantinho só nosso, que não estamos sozinhos, que estamos rodeados de pessoas que gostam de nós exatamente como somos e pelo que somos. Sem complexos, sem receios, sem julgamentos injustos ou precipitados.  
Se sentirmos isto e tivermos saúde (porque esta é crucial e lamentavelmente nem sempre depende de nós…), tudo o mais vai-se conquistando, não sem esforço, desilusão ou dor, mas com perseverança, honestidade, integridade, bom senso…
Porque a vida não nos chega tipo “chave na mão”… Temos que ser nós a construí-la, escolhendo os materiais que a farão mais consistente, mais duradoura, feliz e bem-sucedida… Temos que a edificar, equipar e manter, diariamente, mas não com a preocupação de fazer dela um palácio. Podemos vivê-la de forma bem simples, sem grandes luxos e, ainda assim, fazer dela a melhor do mundo porque decorada com carinho, de janelas escancaradas para as brisas positivas exteriores, protegida de fugas de paz, de porta sempre aberta a quem nos quer bem, aquecida a cada metro quadrado por botijas de amor, alicerçada em valores resistentes a todos os pequenos sismos que a vão abalando mas não a destroem, mesmo deixando tudo fora do sítio…

…Fazer da vida o nosso lar e do nosso lar o pilar mais sólido da nossa vida…
Sofia Cardoso
07 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

20...!!!

Se, em número, é pequeno, em tempo é grande, em memórias é enorme e em amor é gigante!
Nunca me lembro do dia exato sem uma ajudinha extra mas sei que foi em novembro e, sempre que se fala neste dia, recuo atrás o número de anos que se comemora, àquele momento em que me apercebi do início desta linda história.
Recordo, como se fosse hoje, o final de uma qualquer visita de estudo à zona histórica de Lisboa. O autocarro parado junto a um dos mais românticos miradouros da cidade e a conversa que me chegava inadvertidamente aos ouvidos, vinda do banco atrás do meu. Duas amigas, uma das protagonistas do enredo e outra cujo rosto a memória perdeu o rasto entretanto, trocando impressões sobre o aparente interesse por parte do outro protagonista do enlace.
Tudo pormenores que poderiam nunca ter permanecido intactos em imagem até hoje, não fossem dois fatores essenciais. Primeiro, os recém-apaixonados eram, para mim, pessoas tão diferentes que nunca os suporia juntos. Segundo, eles são mesmo um só até hoje.
Ora, tendo em conta que o dito autocarro andou a passear connosco quando frequentávamos o 10.º ano… Feitas as contas… Sim, passaram 20 anos!!!
Do colégio para a faculdade. Da faculdade para a vida profissional. Do namoro para o casamento. Do casamento, para a maternidade… Durante todos estes anos tive o privilégio de vos acompanhar e, de há 12 anos para cá, mesmo à distância de 300 e tal kms, temos encontro marcado, pelo menos uma vez por ano, no verão, no areal onde as nossas quatro Ms brincam e vão crescendo juntas. As Ms que nasceram de um amor tão grande e verdadeiro que une duas pessoas tão distintas mas que se encaixam, e se entendem, e se compreendem, e se “aturam” mas, sobretudo, se amam, como ninguém.
Quem vos vê a somar anos, soma piadinhas do estilo “ainda se lembram como se conheceram?”, se calhar até com uma pontinha de inveja do sucesso da vossa união, como soma razões de orgulho e admiração porque relações destas, atualmente, estão em vias de extinção.
Por tudo isto e por muito mais que fica por conseguir dizer, desejo, de coração, que continuem a somar anos e, muito acima e para além dos números, sorrisos, sucessos e lindas memórias para que a vossa história continue a servir de exemplo para muitos por ter sido escrita nas estrelas e não na areia…
Até porque não podem frustrar a expectativa desta vossa amiguinha de ainda vos ver assim:


(Nesta altura, se calhar já eu preciso de uma ajudinha extra para contar os anos e de alguém que escreva por mim…)

Com carinho e uma amizade com mais de 20 anos, para vocês…

Sofia Cardoso
05 de novembro de 2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

People I love

Gosto de pessoas que se entregam
Mesmo sem nada a receber.
Gosto de pessoas que sorriem
Mesmo que a vida espere que chorem.
Gosto de pessoas que lutam
Mesmo quando têm tudo a perder.
Gosto de pessoas que se fortalecem
Mesmo que as coisas se compliquem.
Gosto de pessoas que não se limitam
Mesmo que tenham riscos a correr.
Gosto de pessoas que persistem
Mesmo que os outros não facilitem.
Gosto de pessoas que acreditam
Mesmo estando a sofrer.
Gosto de pessoas que não esquecem
Mesmo que memórias as atormentem.
Gosto de pessoas que se superam
Mesmo quando as tentam enfraquecer.
Gosto de pessoas que se envolvem
Mesmo que receios as intimidem.
Gosto de pessoas que sonham
Mesmo sem precisar de adormecer.
Gosto de pessoas que conseguem
Mesmo que todos duvidem.
Gosto de pessoas que reconheçam,
MESMO, como é bom viver!


Sofia Cardoso
04 de novembro de 2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Alvorada!

Aí está algo que me é muito difícil… Acordar! Não, minto. Não é, na verdade, o acto de acordar que me é difícil. É mais o acto de me levantar porque acordar, isto é, despertar para o consciente, abrir os olhos, até me é bem fácil. Tenho o sono leve…
É no levantar que reside o meu calcanhar de Aquiles. Ai, se reside…! Custa-me tanto…!
Não pensem que sou preguiçosa, nada disso! De resto, detesto sestas a meio do dia ou pausas para “passar pelas brasas”. Sou daquelas que só dorme à noite (mesmo que pouco).
Quando estudava e o sono (ou cansaço!) falava mais alto a ponto de me fazer tombar em cima dos livros (raras vezes mas chegou a acontecer), quando acordava, ficava furiosa e maldisposta e com dores de cabeça e… e… e…
Acontece que, de manhã, apesar de os meus olhos responderem pronta e obedientemente à primeira chamada do despertador, o resto do corpo parece estar preso aos lençóis e que uma qualquer força maior me impede de por o pé no chão…
É esse o principal obstáculo: passar da posição de deitada, gradualmente, para a posição de sentada e, por fim, pôr-me de pé.
Tudo bem, aceito que pareça meio teatral esta minha tentativa de levar a cabo acto tão banal mas é só para terem uma ideia de como me custa mesmo.
A sorte é que o facto de ser uma despachada em quase tudo, aqui também não me deixa ficar mal porque, ao contrário do que possa parecer, esta peripécia não dura mais do que escassos minutos. (Estava era a descrevê-los em câmara lenta para atingirem a dimensão do meu dilema, só isso!)
Ora, depois de colocados os dois pés no chão, estou safa. Já tudo corre melhor. Nem preciso de esperar pelo primeiro café do dia para me sentir verdadeiramente acordada.
No entanto, insisto, aqueles primeiros minutinhos dão cabo de mim!
Bom, bom, era acordar numa espécie de piloto automático, isso é que era! Só que, na falta de tecnologia que baste para esta minha angústia matinal, resta-me intensificar a busca de um despertador feito à minha medida, qual gadget com a incrível capacidade de me levar ao colo até ao WC (se não for pedir muito…)







Sofia Cardoso
30 de Janeiro de 2011