quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Querer Crer

Há quem precise de ver para crer e depois há aqueles para quem querer é poder.
Eu queria muito, mesmo sem o perceber ou, talvez, não cria muito no que podia valer.
Também, confesso, nunca me tinha debruçado muito sobre este meu prazer de escrever, até alguém ligar o interruptor da minha luz interior e me por a mexer.
Porque demorei tanto tempo a esta ideia amadurecer? Vá-se lá saber...!
O que sei é que, desde que comecei realmente a pagar para ver, não tenho mais tempo a perder e creio, agora, que vale bem a pena querer. (Até ver…)
Queres muito alguma coisa? Começa por crer e depois trabalha a valer!
Quero crer que não te vais arrepender!




Sofia Cardoso
28 de janeiro de 2015

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Só o que é possível

Por vezes somos demasiado exigentes connosco. Queremos carregar o mundo nas costas. Chegar a todos, a tudo e a todo o lado. Resolver tudo em menos de nada, Julgamo-nos, martirizamo-nos, sem nos darmos o direito de nos ouvirmos sequer em nossa própria defesa.
Nenhum de nós tem de se achar o Super-Homem ou a Supermulher se nem reconhecemos a sua existência fora do mundo da fantasia.
A nossa vida é real, das suas alegrias às suas maiores dores e cada um sabe melhor do que ninguém quais são as suas. Devia chegar-nos o que nos surge a cada um pelo caminho e devíamos concentrar-nos naquilo com que conseguimos lidar, naquilo de que podemos dar conta, resolver, simplificar…
O que transcende o nosso alcance, porque está fora do caminho, ainda que à vista, o que nem sequer surgiu ainda no horizonte embora já o temamos, o que tenta atingir-nos só por pura distração mas não faz realmente parte do que é importante… Tudo isso, devíamos ter automaticamente a capacidade de ignorar por ser tremendamente desnecessário e pura perda de tempo.
Pensando por palavras de um querido amigo, basicamente, devíamos cingir-nos à atitude pragmática de aceitar que «só o que pode ser» pesa. Afinal, ninguém carrega uma barra com 20 kg se só consegue levantar 10…
Fazer desta atitude uma filosofia diária simplificaria tanto as nossas vidas… Compreender que há um limite para tudo e serenamente aceitá-lo. Não exigir demais quando não é possível corresponder… Não sofrer demais por aquilo que não está ao nosso alcance resolver… Não lutar demais por causas que sabemos à partida que iremos perder… Não desperdiçar energias com algo ou alguém que de nós nem quer saber… Enfim, preocuparmo-nos simplesmente em amar, trabalhar, confraternizar, problematizar, enraizar, enfim, VIVER na medida do que pode ser. E só isso já nos dará, com certeza, muito que fazer…


Sofia Cardoso
27 de janeiro de 2015


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Dia

Diz que hoje é o dia mais triste do ano. Ouvi-o vezes sem conta nos meios de comunicação social. Até parecia que queriam enegrecer à viva força um dia que até esteve bem simpático para ser assim tão deprimente.
Não posso atestar a exatidão do resultado mas, ao que tudo indica, este é mesmo científico e fruto de uma fórmula matemática qualquer que se serviu de fatores climáticos, financeiros, sociais e psicológicos.
Matemática nunca foi o meu forte, portanto nem me vou dar ao trabalho de me por para aqui a fazer contas, mesmo porque o dia está prestes a acabar e já tive dias piores.
Ou seja, se o cientista/psicólogo estiver com a razão, isso significa que o pior já passou, certo? Perfeito! Então agora é sempre a melhorar: o tempo, o tamanho dos dias, a vontade de atingir objetivos…
Mais, a mesma ciência que atribuiu a este dia lindo (gelado, mas lindo…) este rótulo infeliz, chegou ainda à conclusão que o dia mais feliz do ano será algures na segunda quinzena de junho.
Ora, vamos lá então ser práticos, sim? Pensem comigo: se o dia mais deprimente já era, toca a aproveitar bem o resto do ano e gozar cada dia como se fosse o mais feliz (não vá o senhor ter-se enganado…!) Até porque nunca sabemos quando a verdadeira tristeza nos pode bater à porta e essa, infelizmente, não escolhe, cientificamente, dia nenhum.
Matemático ou não, há sempre muito de psicológico nestas coisas. As pessoas deixam-se influenciar, ficam com estas ideias a martelar no subconsciente, tipo horóscopo, em que poucos acreditam mas quase todos lêem. Fica o meu humilde conselho: junte-se o útil ao agradável e aproveite-se ao máximo cada dia como se fossem todos do melhor, uma vez que a vida já consegue ter dias escuros o suficiente para ainda lhe estarmos a roubar dias luminosos com desculpas de mau pagador.  


Sofia Cardoso
19 de janeiro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Domingo

Domingo chuvoso lá fora…
Ponho-me a imaginar
O que fazem os outros a esta hora,
Para este dia invernoso aproveitar.

Quanto a mim,
Estou bem, cá dentro.
Aprecio dias assim,
Pois, no que gosto, me concentro.

Posso perder-me em páginas
Que num bom livro me aguardam,
Ou encontrar-me em páginas
Que pela minha mão se inventam.

Esquecer que amanhã é segunda-feira,
Deixar de lado a preocupação com a rotina,
Recuperando forças para a semana inteira,
Como quem não quer a coisa, em surdina.  

O nosso ego salta de alegria,
Quando nos lembramos de o mimar.
Precisa de toda a positividade e energia
Para depois com os outros saber lidar.

Por isso toca a fazer o que vos dá prazer
Que ainda é cedo e não há tempo a perder!

E de certeza que quando a noite chegar,
Toda a semana se irá iluminar.





Sofia Cardoso
18 de janeiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Vazio

A pior coisa na vida é, imagino, porque só poderá ser, a perda de um filho.
A nossa morte não bate à porta nem pede licença para entrar. Simplesmente arromba a nossa vida e acaba com tudo, sem dor, sem angústia, sem consciência, pelo menos no momento exato em que chega. (Sofrimento de doenças prolongadas à parte…)
Coisa bem diferente será a morte de um filho. Essa transforma facilmente uma mãe ou um pai num morto vivo. Mata-o lentamente, dia após dia, numa espécie de eterna tortura. Pode respirar, andar, amar e até sorrir mas de alma e coração despedaçados até ao seu próprio fim.  
Um filho é um prolongamento da existência de seus pais, é a união dessas duas faces que, por uma vida inteira ou por instante que seja, foram metades de um encaixe perfeito. É a sua maior herança para este imenso mundo. Sim, é suposto que deixem e não que sejam deixados! E, ainda assim, partem tantos filhos antes dos pais todos os dias, por vezes de forma tão estúpida, tão cruel ou mesmo tão irónica… Que tristeza, que tormenta, que angústia, que medo…!
Pode ser o estupor do “descuido” A, ou o raio do acidente B ou a sacana da doença C. Será sempre inesperado, prematuro, revoltante...
Mesmo na pior das perspetivas, uma mãe ou um pai não perdem a esperança. Aguentam-se, firmes no amor, crentes na vitória até ao fim. É assim que funciona. É assim que tem de ser, mesmo quando acabam por perder a guerra ao fim de várias vitórias em pequenas grandes batalhas.
Seja como for, qualquer A, B ou C que esteja na origem do fim é inconstitucional perante a lei da natureza parental. Simplesmente não é justo, não é previsível e muito menos aceitável.
Quem passa por tamanha provação jamais conhecerá dor maior. Pode seguir em frente, aguentar a infelicidade, a raiva, o desgosto… Superar, de alguma forma, digamos… Todavia, o vazio deixado permanece como terreno árido onde nada mais floresce, para sempre.
Não há preparação para algo assim. Não há garantia, seguro ou manual de instruções que valham a quem perdeu tudo, por mais intrujado que se possa sentir.
A ausência de um filho não se compensa. A presença de um filho não se substitui. O buraco não se tapa. O vazio não se preenche. Esta será, suponho, simplesmente a realidade mais irreal de enfrentar.


Sofia Cardoso
20 de fevereiro de 2013

sábado, 10 de janeiro de 2015

Perdas...

É extraordinária a capacidade que a vida tem de ser cobardolas! Três meia volta, estando nós completamente desprevenidos, levamos um soco em cheio no estômago, bolas!
E o pior é que nem nos podemos defender. Quando damos conta, recuperados do choque, já aconteceu, já não há nada a fazer…
Aos poucos, soco a soco, à força, sem opção, vamos ficando mais rijos mas cada vez mais ocos... Porque a saudade não preenche, esvazia… E o espaço deixado por ela não é preenchido. O que as pessoas deixam de si connosco jamais será substituído…
Perante isto, a danada da vida segue o seu caminho, com o atrevimento de quem acha que não nos deve nada, deixando-nos agarrados à barriga, por vezes até prostrados, mas sem alternativa senão levantarmo-nos, endireitarmo-nos, engolir o sofrimento e seguir atrás dela…
Acumulando espaços vazios e tristes cá em baixo, deixados por peças que se perderam, espero sinceramente que lá em cima o puzzle se forme e a imagem resultante faça o sentido aqui perdido…








Sofia Cardoso
10 de janeiro de 2015 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Parabéns, querida!

Já lá vão doze anos…! O tempo voa…
Lembro-me daquele dia como se fosse hoje. Ia ser tia, pela primeira vez…!
Aliás, voltando um bocadinho atrás, ainda me lembro do dia em que soube que ia ser tia (pela primeira vez, repito!) Foi pelo telefone, estava em casa (dos meus pais, ainda), no meu quarto… E fiquei tão contente…!
Bom, verdade seja dita, não era (ainda!) tia oficialmente porque namorava “apenas” com o verdadeiro tio mas não interessava, sentia-o como se já o fosse e era só isso que contava.
O tempo voou, de facto. Sou tua tia de pleno direito, minha (primeira!) princesa e aqui estou hoje, recordando o teu nascimento.
Continuando… Lembro-me perfeitamente daquele dia.
Soube, ainda de manhã, que o trabalho de parto começara. Lá vinhas tu! E assim estive ansiosa a manhã toda.
Chegada a minha hora de almoço, aproveitando que nesta terra é tudo perto, não resisti e voei para o Hospital na esperança de poder conhecer-te logo se, entretanto, nascesses. (Eu e as minhas pressas…!) Ainda teria que aguardar… Não me fizeste a vontade. Esperaste, antes, que eu saísse (marota!) para nasceres logo de seguida.
Quando soube (finalmente!) que já nasceras, bem e com saúde, fiquei radiante e só contava os minutos para poder dar-te um colinho (sim, porque ver-te não bastaria!). Nessa tarde, as horas não voaram mas passaram e assim que saí do meu local de estágio lá fui, não sem antes passar numa florista para levar um grande ramo de flores para a mamã que, afinal, foi quem te trouxe (e tão bem!) às nossas vidas.
Também me lembro perfeitamente da sensação que tive quando te peguei ao colo… Eras o primeiro bebé que conhecia que também era um bocadinho meu e era também a primeira vez que segurava um recém-nascido. Foi um momento único que ficou registado nesta foto que guardo de recordação. E, de repente, já voaram doze anos… «Sê feliz» (Pensei naquele dia e repito hoje...)
Parabéns, querida!








Sofia Cardoso
09 de janeiro de 2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Desumanidade

Chamem-se ingénua, “Sofia no País das Maravilhas” ou o que quiserem mas a crueldade do mundo é algo que ainda me surpreende e choca como se achasse ser possível haver limites para ela. Por mais que saiba que existe, que o mal é uma realidade do mundo em que vivemos, tal como o bem.
Só que uma coisa é saber que existem seres humanos bons e maus. Outra, bem diferente, é aceitar que existem seres humanos com alma de monstros (ou deveria dizer sem alma?). Nem lhes chamarei bichos ou animais porque até esses, na sua irracionalidade, por vezes demonstram uma qualquer espécie de afeto para lá do instinto, mesmo os mais selvagens. Há inúmeros relatos disso.
O que passará na cabeça de alguém (vezes três!!!) para entrar no local de trabalho (trabalho honesto, apadrinhado pela liberdade de expressão, democraticamente instituída como direito básico de qualquer cidadão…) de compatriotas ou semelhantes, exatamente com os mesmos direitos, e atirar a matar?! Terão essas bestas exatamente o quê no lugar do coração e da consciência? O que faltou na sua vida para aprender a amar ou pelo menos respeitar o próximo, no mais básico da sua existência, a vida?!
Que tipo de justiça vai julgar e que tipo de destino deve ser dado a estas três vidas que destruíram doze famílias e sei lá quantas outras inerentes vidas? É absurdo este mundo em que vivemos… Nós somos absurdos!
Por alguma razão não segui eu a carreira de advocacia e nunca o Direito Penal. É muito difícil digerir determinadas condutas, quanto mais defender quem as pratica ou acusá-las e depois dar-lhes um destino que nunca remediará o irreversível.
Se é duro refletir sobre isto, quão violento será experienciar na primeira pessoa algo sequer parecido…?
Como é possível que ainda consigamos ser surpreendidos com os limites ultrapassados da violência e da bestialidade de que o ser humano é capaz? Há situações verdadeiramente surreais e tão realmente verdadeiras…
E pensar que quando nascemos, somos todos igualmente vulneráveis… Até quando? O que transforma crianças eventualmente um dia dóceis em adultos abomináveis…?


Sofia Cardoso
07 de janeiro de 2015

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Reis

Dia de Reis é sinónimo de festa grande em Espanha. Já por cá, à parte as coroas feitas pelas crianças na escola e a referência ao Bolo-Rei, apreciado aqui e ali, a coisa passa meio despercebida.
Dei comigo a refletir sobre a razão de ser da tradição, mesmo aqui ao lado, ser tão diferente da nossa e resolvi ler sobre isso. “Googlei” o tema e não descobri muito mais do que já sabia. Afinal, é óbvio, ou não?
Certo é que, realmente, considero que nuestros hermanos é que têm razão (não fossem eles muito mais religiosos do que nós!)
Gosto de coerência nas coisas e, de facto, sendo o Natal (ou devendo ser!) não mais do que a festa comemorativa do nascimento de Jesus Cristo e devendo a tradição dos presentes a sua razão de existência às ofertas que os Reis Magos fizeram ao Menino aquando do seu nascimento, parece-me que, efetivamente, o correto seria esperar por este dia para abrir os ditos.
A verdade é que se o Pai Natal encaixa bem no imaginário mágico das crianças e a sua existência é mais palpável, mais visível, mais fácil de justificar aos pequeninos, o Menino Jesus pode também ser-lhes apresentado de uma forma simples (e até igualmente mágica) que os faça sonhar do mesmo modo.
Hoje em dia, em minha casa o Pai Natal já não entra (tínhamos, aliás, um pobre coitado pendurado na varanda que foi perdendo as calças e assim ficou, ao abandono, até entrar pela janela diretamente para o lixo). As minhas filhas já não acreditam nele mas um dia, inevitavelmente, chegaram a acreditar porque a realidade circundante deixava pouca margem para fugir dele. Ainda assim, sempre existiu um presépio a que dou destaque na sala e à volta do qual tento criar a nossa própria magia.
Faço questão que as minhas filhas conheçam o outro lado da história, o original, o puro porque despojado de superficialidade e consumismo desenfreado. De resto, na minha infância, não me lembro nada de se cultivar a figura do “gordo barbudo” e o Natal era feliz (muito mais feliz, talvez…!)
Só que a sociedade de ontem não é comparável à sociedade de hoje, pois não? É uma pena e dá que pensar no que andamos a deixar escapar.








Sofia Cardoso 
06 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

Manas

Uma criança pode ter um quarto cheio de brinquedos mas nenhum lhe dará tanta diversão como um irmão.
Tenho como certo que, entre tantas outras riquezas que engrandecem a vida dos miúdos, ter pelo menos um irmão será, incomparavelmente, das melhores.
Tomo de exemplo a relação a que assisto, da primeira fila da plateia, diariamente. Aquilo que as une é tão especial…
Ser a mais velha tem tanto de privilégio como de responsabilidade e ela supera as expectativas pela forma como lida com a mais nova, que gosta de esticar a corda e de lhe testar a paciência. Ainda assim, não desilude.
É uma bênção e um orgulho vê-las crescer juntas, na cumplicidade de olhares que só elas percebem, na amizade que mutuamente sentem, na alegria com que se divertem e até na forma como, na parvoíce, me enlouquecem!
A mais velha protege a mais nova quando a sente triste, acarinha-a em qualquer circunstância, ensina-lhe orgulhosamente o que já aprendeu, educa-a para a consciência do que está certo ou errado, seguindo o exemplo que recebeu.
A mais nova, absorve tudo, provoca, pede sempre mais limites, atenção e mimo, embora também o dê e muito, pois tem tanto de reguila como de doce e sabe tão bem arreliar como amaciar.
Nem sempre é fácil porque os feitios são diferentes. No entanto, elas encaixam-se, resolvem, na maioria das vezes, os próprios conflitos e são estes que igualmente as ajudam a crescer, a respeitar, a perdoar…
Brincam e jogam a tudo o que faz parte da idade; assistem aos programas da atualidade; riem e choram com a mesma espontaneidade; vivem os dilemas típicos da sã rivalidade, mantendo cada uma a sua individualidade; implicam uma com a outra com toda a naturalidade; zangam-se e fazem as pazes com a mesma sinceridade e se calhar ficarão impossíveis na puberdade, só que não prescindem da companhia uma da outra em qualquer atividade…
E de forma cúmplice, respeitadora do espaço e maneira de ser/estar de cada uma, só terão a lucrar na vida com este eterno e único laço de fraternidade.










Sofia Cardoso

03 de janeiro de 2015