quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Desumanidade

Chamem-se ingénua, “Sofia no País das Maravilhas” ou o que quiserem mas a crueldade do mundo é algo que ainda me surpreende e choca como se achasse ser possível haver limites para ela. Por mais que saiba que existe, que o mal é uma realidade do mundo em que vivemos, tal como o bem.
Só que uma coisa é saber que existem seres humanos bons e maus. Outra, bem diferente, é aceitar que existem seres humanos com alma de monstros (ou deveria dizer sem alma?). Nem lhes chamarei bichos ou animais porque até esses, na sua irracionalidade, por vezes demonstram uma qualquer espécie de afeto para lá do instinto, mesmo os mais selvagens. Há inúmeros relatos disso.
O que passará na cabeça de alguém (vezes três!!!) para entrar no local de trabalho (trabalho honesto, apadrinhado pela liberdade de expressão, democraticamente instituída como direito básico de qualquer cidadão…) de compatriotas ou semelhantes, exatamente com os mesmos direitos, e atirar a matar?! Terão essas bestas exatamente o quê no lugar do coração e da consciência? O que faltou na sua vida para aprender a amar ou pelo menos respeitar o próximo, no mais básico da sua existência, a vida?!
Que tipo de justiça vai julgar e que tipo de destino deve ser dado a estas três vidas que destruíram doze famílias e sei lá quantas outras inerentes vidas? É absurdo este mundo em que vivemos… Nós somos absurdos!
Por alguma razão não segui eu a carreira de advocacia e nunca o Direito Penal. É muito difícil digerir determinadas condutas, quanto mais defender quem as pratica ou acusá-las e depois dar-lhes um destino que nunca remediará o irreversível.
Se é duro refletir sobre isto, quão violento será experienciar na primeira pessoa algo sequer parecido…?
Como é possível que ainda consigamos ser surpreendidos com os limites ultrapassados da violência e da bestialidade de que o ser humano é capaz? Há situações verdadeiramente surreais e tão realmente verdadeiras…
E pensar que quando nascemos, somos todos igualmente vulneráveis… Até quando? O que transforma crianças eventualmente um dia dóceis em adultos abomináveis…?


Sofia Cardoso
07 de janeiro de 2015

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