terça-feira, 28 de abril de 2015

Sorriso

Para mim, é muito fácil sorrir
E, para tal, motivos descobrir.
Todo o mimo que das minhas filhas venha;
Uma surpresa que alguém para mim tenha.
A reação reconhecida de quem eu surpreenda;
Uma simbólica ou inesperada prenda.
O alcançar suado de um objetivo;
Um abraço forte e emotivo.
Um menino alegre e divertido;
Um desenho criativo e colorido.
Uma música ao som do piano;
Uma memória feliz de qualquer ano.
Um bom livro à cabeceira;
Uma anedota contada à maneira.
Um gesto educado de cavalheiro;
Uns trocos a mais no mealheiro.
O planeamento de uma viagem;
Um passeio numa linda paisagem.
Um elogio ou reconhecimento espontâneo;
Um feriado e uma 6.ª feira em simultâneo.
O sucesso escolar das minhas princesas;
Um jantar com muitas velas acesas.
A arte sob qualquer uma das suas formas;
O respeitar cívico das normas.
Todos os gestos altruístas;
O exercício na companhia de outros desportistas.
Os amigos que se fazem presentes;
A capacidade genial de algumas mentes.
A evolução dos meus alunos;
O sol em dias taciturnos.
O nascimento de um bebé;
Uma longa caminhada a pé.
A realização de um desejo;
O amor espelhado num beijo.
O final feliz de um enredo;
O corajoso superar de um medo.
Um obstáculo penosamente vencido;
Um pedido de desculpa sentido.
Uma família grande e unida;
O chegar ao fim de uma corrida.
Uma fotografia antiga;
A felicidade de uma amiga.
O prazer de uma dança;
Uma luz que indica haver esperança.
Um café de esplanada;
A simpatia em troca de nada.
A alegria dos meus
E cada um dos sorrisos seus.


Sofia Cardoso
28 de abril de 2015

sábado, 25 de abril de 2015


Se todos somos igualmente livres - e a igualdade anda de mãos dadas com a liberdade - nunca podemos todos fazer absolutamente tudo o que queremos.
Existem limites à nossa conduta e quem os impõe é a própria liberdade, uma vez que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.
Considerações básicas inerentes à democracia que comemoramos hoje com tanta alegria.
Sim, é com euforia que se continua a celebrar este dia, embora, a meu ver, devêssemos, também, alguma reflexão fazer.
É que a democracia não dispensa a autoridade, o respeito, a educação e esta última, sobretudo, preocupa-me de verdade.
A liberdade de expressão, por exemplo, não é sinónima de falta de educação. É, antes, um valor, em dignidade, muito superior.
Observando a forma displicente como alguns miúdos, às vezes ainda tão pequenos, se dirigem aos pais, lhes respondem, lhes exigem este mundo e o outro, cobrando sempre muito mais do que reconhecem, questiono-me sobre o tamanho da sua liberdade que parece, agora, tantas vezes, pôr em causa a própria autoridade.
Não é preciso recuar 41 anos para ver como as coisas mudaram (e se deterioraram) a este nível. A mim, basta-me pensar na minha própria infância, juventude e adolescência, retrocedendo apenas uns 25 anos…
Não se via ou ouvia o que se ouve e vê hoje em dia. O respeito pela autoridade existia e nem era preciso castigo, opressão ou qualquer outro tipo de limitação de liberdade.
Basicamente, sabia-se até onde se podia ir porque os pais também sabiam como se impor, educar e fazer respeitar.
Também eu sou mãe e sou chata. Imponho regras e limites, com muito orgulho, por considerar que é assim que deve ser.
As minhas filhas terão liberdade para o que pretenderem do seu futuro fazer. Contudo, ensinar-lhes que para tudo existem limites, também entendo ser meu dever.
A educação, o saber viver em sociedade e o respeito pelo próximo e pela autoridade são imprescindíveis para que cresçam livres com responsabilidade.
Na verdade, a responsabilidade é consequência inquestionável e inalienável da liberdade.


Sofia Cardoso
25 de abril de 2015

terça-feira, 21 de abril de 2015

Verdade ou Consequência

A vida, através da maturidade que com ela vamos adquirindo, ensina-nos a assumir quem somos, sem receios, sem dar importância às aparências, sem limitarmos a nossa conduta pelo arame farpado que às vezes representa a mentalidade dos outros.
Não que até aqui me tenha preocupado muito com o que as pessoas pensam a meu respeito, temendo julgamentos injustos ou falatórios desnecessários. Estes existem sempre e há sempre quem pareça ter prazer em atirar a primeira pedra, sabe-se lá porquê.
Sou a mesma pessoa hoje que era há 20 anos. Nunca ocultei o meu verdadeiro eu, nem fingi ser o que não sou.
Quem me conhece bem, sabe exatamente com o que conta, o que esperar, e que vivo, verdadeiramente, na sinceridade e na lealdade para com os que, nesta caminhada, me queiram acompanhar.
Existem valores básicos que orientam o meu percurso e que fazem parte de mim desde que me conheço, senhora do meu nariz, crítica perante a vida e capaz de tomar decisões.
É inadmissível, para mim, viver na mentira, com hipocrisia ou de aparências. Repudio veementemente isso tudo e suas consequências.
O que é, tem de ser de verdade. Ou não é e então acaba porque, não sendo verdade, não é real, logo deixa pura e simplesmente de fazer sentido e, assim, de existir, na realidade.
O tempo e a sucessão de acontecimentos que este implica, acabam por provar a validade das ações, o valor das pessoas e a sua autenticidade.
Quem sempre foi verdadeiro, continua, apenas a sê-lo, acima de tudo e de todos. Quem não o é, nunca foi ou algures deixou de o ser, acaba por ficar preso e ser apanhado nos próprios embaraços que na teia da sua vida originou.
Eu, recuso-me a ser cúmplice ou prisioneira da falsidade alheia.
O que sou, o que faço, o que sinto foi, é e será sempre verdadeiro, sincero, real e em consciência. Até ao limite da pior evidência. A da mentira, da negação, da falta de respeito, de sentimento e, até, de coerência.
Cada um sabe melhor do que ninguém a pele que veste, as lutas que enfrenta, as feridas com que fica ao expor-se à selva da vida, por maior que seja a sua bravura.
Quem assiste, de arma em punho, pronto a disparar as balas da censura, devia ter a coragem de poisá-la e limitar-se a observar e, eventualmente, o sofrimento da presa tentar imaginar.
Infelizmente, as pessoas realmente puras estão em vias de extinção e caçadores implacáveis, ávidos de sangue, existem por aí de montão.
O mundo precisa muito mais de gente real, capaz de atos concretos, de coração, do que de gente ideal cuja cabeça formatada se perde em especulações sem pingo de razão.
Pessoas de bem, autênticas, fiéis, sinceras e leais: não se intimidem por temores, armas, juízos ou condenações. Sejam vocês mesmas e perpetuem-se nas vossas (reais) ações!


Sofia Cardoso
21 de abril de 2015

domingo, 19 de abril de 2015

Abraço

Um abraço nunca vem tarde ou cedo.
Um abraço pode ser previsível ou completamente inesperado.
Um abraço pode ser dado com vontade ou a medo.
Um abraço pode vir de fugida ou ser demorado.
Um abraço pode ser dado em público ou em segredo.
Um abraço pode ser fugaz ou bem apertado.
Um abraço pode aconchegar-nos ou derrubar-nos como um torpedo.
Um abraço pode ser a seco ou encharcado.
Um abraço pode ser um presente ou substituir um brinquedo.
Um abraço pode ser pedido ou descaradamente roubado.
Um abraço pode ser dado livremente ou num degredo.
Um abraço pode ser alegre ou emocionado.
Um abraço pode ser frágil ou forte como um rochedo.
Um abraço será sempre apreciado, em qualquer circunstância, lugar e vindo de qualquer pessoa, desde que sinceramente dado.


Sofia Cardoso
19 de abril de 2015






sábado, 11 de abril de 2015

May the 40's be with you!!!

Se a vida começa aos 40,
Não percebe, a Mafaldinha
O porquê da antecedência
Com que ao mundo vieste.
Se não fosse tão rabugenta,
Ficaria bem caladinha,
Percebendo que com a tua existência
À dela, um novo sentido deste.

Na verdade, tal personagem
Podia até chamar-se Marta
E tu prestares-lhe homenagem
Por ser parecida contigo que se farta!

Só não sei se ela é fã
De sabres de luz e afins,
Porque a sua mente sã
Dificilmente se perde nesses confins.

Ela é bem deste mundo
E, como tu, do encarnado,
Abusa orgulhosamente.
Levando tudo a fundo,
Do mais simples ao mais complicado,
Mas vivendo heroicamente.

Se lhe oferecessem uma bicicleta,
Iria ficar radiante…
Aposto que fazia direta
E fugia para um país distante.

Ou esta, és tu, prima
E já estou toda baralhada,
Que, com tanta rima,
É fácil fazer trapalhada?

Lá de girassóis
Sei bem que gostas.
Podias tê-los nos lençóis
E neles deitares-te de costas.

Mas, perder tempo a dormir,
Decerto, não é a tua praia.
Precisas dele para fugir
De toda a rotina que não te atraia.

Forte e decidida,
Senhora do teu nariz,
Bem resolvida,
Qualquer um o diz.

Identifico-me contigo,
Em muito da tua personalidade.
Sou eu que o digo
Mas saberás ser verdade.

Quero chegar aos “entas”
Com a tua facilidade
E, daí até aos noventas,
Interessará tudo menos a idade.

Que a vida te surpreenda
E leves mais além
As mais lindas botas,
Que a tua coleção tem.
Que a saúde seja a melhor prenda,
Junto com muita felicidade também
E sem surpresas marotas.

Não dá luz, este meu presente,
Muito menos tem rodas,
Ou sequer é encarnado,
Mas vem de um coração que sente
As tuas emoções todas
E de ti tem um orgulho danado!


Sofia Cardoso
11 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pela Paz...

Há assuntos que nos desgastam e que, por isso, se gastam…
Sou persistente, sou. Obstinada, até, para alguns mas sempre no melhor e mais positivo dos sentidos e rumo à melhor e mais positiva das direções.
Não insisto no que deixa, por si mesmo, de fazer sentido e muito menos rumo em direção a abismos de emoções. Pelo contrário, aí, firme, desisto.
Sim, porque a desistência não é fraqueza digna apenas dos mais receosos. Pode ser (e é-o, seguramente, muitas vezes) resolução digna dos mais corajosos.
Nunca é fácil mas frequentemente, preciso. Em nome da tranquilidade, da paz, da estabilidade.
E até a maior das forças necessita de um travão na sua capacidade de resistência, em defesa da sua própria essência.
Assim, caros assuntos que se prendem com o que já ficou para trás e que pretendem, inadvertidamente, prender-me ao que atrás pertence, considerem-se livres do meu presente, daqui para a frente.


Sofia Cardoso
08 de abril de 2015