segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sozinha, não Só...

Aparecer sozinha num sítio que há quase 14 anos me via chegar sempre acompanhada, dá um nó, difícil de desatar, na cabeça de muita gente…
Não na minha que, felizmente, sempre foi muito independente. Cordão umbilical, só dependi de um e até esse foi cortado há mais de 35 anos.
Entro, com a mesma descontração de sempre, sento-me e reparo num par de olhos que me fita e me cumprimenta como se visse um “alien” e, eu, de carne e osso humanos, retribuo com o meu cordial e descomplexado cumprimento, em bom português.  
Não me incomoda a eventual estranheza que depreendo daquele olhar, pois possuo uma personalidade prévia a toda a história que através dela vivi.
Eu não mudei. Não deixaria de frequentar locais de que sempre gostei e ainda gosto só porque…
Sim, apareço sozinha. So what? Até trouxe caderno e caneta que, de resto, nos últimos tempos andam sempre comigo, e ainda me deram involuntariamente mote para escrever.
E, depois, ninguém está só se está bem consigo mesmo e com o resto do mundo.
Nisto, comi e bebi qualquer coisa, que se calhar até já digeri, enquanto quem me olhou de forma interrogatória, talvez tenha ficado a digerir a minha história.
É assim, em terras pequenas e, convivendo com essa mentalidade, aprende-se a desvalorizar o que se diz ou pensa à nossa volta. Who cares?
Quem vive de forma transparente, segura de si, não se preocupa com o que o ilustre conhecido desconhecido pensa.
O mundo dá voltas, mesmo quando nós próprios estamos parados e, às vezes, leva-nos, impotentes, às cambalhotas, desgovernados, até nos vermos, finalmente, parados.
E aí, seguimos caminho sem, no entanto, ficarmos desmemoriados.
O passado existiu, não foi apagado e faz parte do que somos hoje, apesar do futuro esperar por nós, como sempre fomos e não nos exigir que a nossa forma de ser e de estar mudemos, ainda que, necessariamente, nos adaptemos.


 Sofia Cardoso
13 de julho de 2015

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