domingo, 16 de agosto de 2015

Tronco

A quantidade de histórias que contaria, se de uma boca se tratasse… A quantidade de fotos que eternizaria, se fosse uma lente de uma máquina fotográfica… A quantidade de sons que reproduziria, se tivesse as capacidades de um altifalante… 
Contudo, não é uma boca, nem uma lente fotográfica e muito menos um altifalante. Qual “Big Brother” enraizado na terra, silencioso espectador da natureza humana, é muito superior a tudo isso.
Desconheço-lhe a idade mas é intemporal no meu próprio tempo. Viu-me bebé, criança, adolescente, adulta e vai, muito provavelmente, ver-me envelhecer e sobreviver-me. Como eu, tantos que eu conheço e milhares de desconhecidos mais.
Um exemplar perfeito do estoicismo da natureza, face à imperfeição exemplar do exibicionismo do homem que se pavoneia, todos os verões, diante de si e o deixa quase só, todos os invernos.
De tudo um pouco Já deve ter visto e ouvido por aqui e ainda assim não se pronuncia. Limita-se a crescer, a embelezar a paisagem, a todos, na sua sombra, acolher.
Passa do extremo, da maior das confusões, ao extremo oposto, da maior das solidões. E assim vê passar os anos, multiplicar as gerações. Sem queixumes, críticas ou desilusões.
Talvez, por isso, dure mais do que todos nós. Vive apenas da chuva, do sol, e da paz que o rodeia e tudo o resto tanto lhe faz.

Sofia Cardoso
16 de agosto de 2015

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