sábado, 22 de agosto de 2015

Tudo o que me deste

Momentos como o desta noite deixam-me sempre alcoolizada de emoção e normalmente só no dia seguinte, sob ressaca musical, me lanço a escrever. No entanto, hoje não consigo desligar sem antes desbobinar porque amanhã é sempre tarde demais e preciso mesmo de fazer o que ainda não foi feito.
Não sabia bem o que esperar de um concerto teu, em pleno verão, num espaço aberto, repleto de cadeiras ocupadas, com um palco ali tao perto, depois de te ter visto no Terreiro do Paço, repleto de pessoas de pé, com um palco lá tão longe, em pleno inverno…
Começaste tão bem, viajando connosco, fazendo com que logo aí a cadeira tão atrás me começasse a fazer comichão. Puseste-nos à vontade para nos levantarmos e pouco depois estávamos lá no fundo para não incomodar quem se mantinha confortavelmente sentado. Daí até percebermos que, na verdade, de forma tão inesperada quanto desejada, querias mesmo era que nos aproximássemos para nos sentirmos, contigo, de regresso a casa, foi um saltinho e depressa tinhas parte da plateia (a atrevida e muito menos preocupada com a visibilidade de quem se mantinha sentado do que com a tua manifesta vontade…) literalmente aos teus pés.
A partir desse momento, foi um crescendo de sensações, de recordações, que me levaram da idade adulta de volta à adolescência, 20 anos lá atrás, sentada nas aulas de filosofia a eternizar no papel as letras das tuas músicas, passando do riso estridente ao choro silencioso em 20 segundos, agora ali à tua frente.
Não posso ver um homem sentado ao piano: facto. Os teus dedos a deslizar nas teclas, enquanto as pingas de suor visivelmente pingavam e os meus dedos a deslizar sobre a face, enquanto as lágrimas discretamente escorriam, tudo em perfeita sintonia. Porque a música, não me canso de repetir, faz magia. Aleluia!!!
E de pé, estivemos, assim, todos sentados à tua mesa, convidados a saborear o A-M-O-R. Todos unidos pela intemporalidade do teu sucesso, que cria pontes entre gerações, tornando possível a imagem, digna de moldura, de uma filha pequenina, às cavalitas da mãe, sabendo cada nota do caminho de volta para os seus braços. Que ternura…!
Sim, há noites que passo sem dormir, mas vale sempre a pena porque deste-me um momento lindo para agarrar as palavras que registam uma noite encantada para o resto da vida…
E tudo o que eu te dou é o resultado de tudo o que nos deste a todos nós…


Sofia Cardoso
21 de agosto de 2015

Sem comentários:

Enviar um comentário