sexta-feira, 11 de setembro de 2015

11 de setembro

Não preciso de voltar às imagens que marcaram este dia para sempre, para recordar sempre este dia. Esta data ficou definitivamente registada como uma tatuagem na memória. Na minha e na da Humanidade. De tal forma, que me lembro exatamente por onde andei e o que fiz naquele dia. E, como eu, milhões de pessoas por todo o mundo…
Vinha do Algarve, regressando de umas férias que marcaram uma transição na minha vida, ironicamente, há 14 anos. Catorze… Um número que era mágico e deixou de o ser antes de atingidos os ditos…
Enfim, vinha em viagem, alegremente e de carro, quando comecei a ouvir as primeiras notícias na rádio. Sem perceber muito bem, porque eram ainda escassas as informações que chegavam, não valorizei imediatamente.
Chegada a Lisboa, fui direta à faculdade, penso que por causa da matrícula para o 5.º e último ano do curso, e aí os rumores ganharam nova força e geraram uma crescente preocupação, aumentando a suspeita de que não se teria tratado apenas de um acidente de aviação.
Tenho uma vaga ideia de estar na biblioteca da FDL, a consultar a internet e de ter sentido uma certa angústia. Nada comparado com o aperto que me cortou a respiração assim que cheguei a casa e me deparei com as imagens de última hora na televisão.
O choque inicial da certeza de atentado, associado à visão, em direto, do embate do segundo avião na torre gémea da primeira, deu lugar à maior sensação de terror que alguma vez senti. Não parecia real, quanto mais possível... Ainda hoje custa a acreditar, apesar da nua e crua verdade de tudo o que se seguiu… 
A imagem dos papéis saídos automaticamente da torre em voo planado foi rápida e drasticamente substituída pela imagem de pessoas desesperadamente em queda livre e ………….................. voluntária …………………….....


Esta é a parte que não tem descrição, comentário, sentimento à altura. A parte apenas digna de um profundo e constrangedor silêncio ……………..........
Que não dura um minuto… Durará o que durar a recordação desta imagem que ainda hoje me aperta o peito e me traz as lágrimas aos olhos...
Se te revês nestas palavras e refletes todos os anos, como eu, sobre como este dia foi possível, imagina quem neste dia quase tudo perdeu, quem o viveu e como o descreveria, se pudesse, quem nele, de facto, se perdeu…
E parece que perdidos, continuamos todos… A Humanidade não aprende rigorosamente nada com a História. Persiste em engrandecer a má memória…  
Sofia Cardoso
11 de setembro de 2015

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