domingo, 20 de setembro de 2015

Tempo de recriar o tempo

Precisava de mais tempo…
Uma casa, duas filhas cento e onze alunos, sessenta km por dia e vários hobbies com que me entreter exigem um pouco de uma pessoa só.
Por aqui multiplica-se tudo a olhos vistos: a roupa para lavar/passar, a lista de supermercado, refeições para preparar, o pó (e os espirros!) para limpar, respostas para todas as solicitações/necessidades das miúdas e mimos que merecem, burocracias e obrigações a todos os níveis, trabalhos da escola para planear, km para circular, textos para escrever, livros para ler… Tudo menos o tempo que, haja o que houver, me confina o dia a 24 mínimas horas.
E o mais engraçado é que há um ponto comum a tanta responsabilidade: a criatividade.
Basicamente, preciso dela para quase tudo: para programar a ementa semanal, para fugir da rotina nos tempos livres das minhas M&Ms, para as ideias a concretizar com os meus alunos e para me dedicar ao meu hobby principal: este.
Isto implica que a cabecinha esteja sempre a trabalhar, a pensar, a inventar, ao ritmo e velocidade do tempo que tenho para pôr tudo a funcionar e raramente posso parar.
Digamos que paro basicamente para dormir, ainda que às vezes até nos sonhos não tenha mãos a medir.
Até gosto desta adrenalina que condiz com a minha personalidade enérgica mas, como se diz, a pressa costuma ser inimiga da perfeição e gosto de tudo alcançado tal e qual como desejado e não que me saia tudo ao lado.
O alicerce do sucesso é, sem dúvida, uma boa capacidade de organização, apoiada na capacidade de improviso escondida na manga, sempre contando com uma imensa dose de serenidade como arma secreta para não stressar.
Se dependesse de mim, o tempo multiplicar-se-ia na proporção das tarefas e prazeres. Na falta desse e de outros superpoderes, há que encaixar, o melhor que se conseguir, todos os afazeres.
Quando se quer, é-se capaz, levando o dia-a-dia com algum rigor e não na base do tanto faz.


Sofia Cardoso
20 de setembro de 2015 

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