domingo, 1 de maio de 2016

Ensemble

Há momentos em que, definitivamente, o tempo devia ser obrigado a parar. Curiosamente são também esses que, deixando-me sem palavras, me obrigam ao mesmo tempo a procurá-las incansavelmente para eternizar as emoções que fizeram despertar.
Depois do “Solo”, intensamente descoberto e assim vivido e partilhado nos últimos nove meses, eis que nos vemos “Ensemble” novamente.
Fiz-me à “Estrada”, de volta à minha terra, ansiosa e propositadamente. Esqueci a magia inesperada vivida numa cadeira de plástico a céu aberto e viajei sonhando com um assento numa confortável plateia, procurando encontrar aquela ilustre sala completa e merecidamente cheia.
«É diferente», dizias no fim, comparando os dois trabalhos e querendo saber se gostara. É, sem dúvida. A orquestra é uma mais-valia que confere uma maior intensidade à força já de si arrebatadora das tuas teclas mas a emoção que provoca em mim é precisamente a mesma. Amei, como nunca duvidei.
“Lembro-me” exatamente de como senti o “Solo” e a vontade de te dar um valente “Abraço” no fim foi rigorosamente a mesma. Brilhante, maravilhoso, igualmente fascinante!
Por este andar, um dia, salta-me o coração pela boca…! A mesma boca que teve dificuldade em cantar os parabéns ao Manel sem deixar a voz embargar…
Durante o espetáculo, empresto-te o meu coração e o seu ritmo cardíaco deixa de me obedecer, seguindo o teu compasso. Já os meus olhos, fixos na tua imagem, por mais do que uma vez se enchem de lágrimas que dificilmente consigo conter. Foi assim da primeira vez. Acho que sempre vai ser.
Tenho a sensação mágica de que “Hiberno” num momento de profunda “Meditação” que me enche de esperança por dentro e me dá um novo “Alento”.
A Arte tem este superpoder em mim: o de me conferir um prazer inigualável, uma paz incomparável, uma sensação de “Liberdade” incontornável.
E é aqui que o tempo devia ser obrigado a parar. Teria ficado ali, horas e horas a ouvir-vos tocar, esquecida do mundo lá fora e da obrigação de regressar.
A vida não é fácil… Tenho-me sentido muitas vezes uma “Borboleta” frágil e aprisionada por circunstâncias que me impedem de voar e é precisamente a minha força interior que me tem ensinado a valorizar as mais pequenas coisas, o que também me tem permitido “Renascer” a cada novo “Amanhecer”… Porque “aBem” temos que saber aprender e, mesmo na “Dúvida”, continuar a acreditar que muita “Valsa” haverá ainda por dançar e o melhor estará por vir, pelo que vale realmente a pena na felicidade investir. E a minha faz-se de momentos assim. De sublime prazer.
Aplaudir, reconhecidamente, de pé ou escrever, simplesmente, talvez não chegue para agradecer. Ainda assim, mais uma vez, não consegui controlar o ímpeto de o fazer porque se nós te fazemos acreditar que vale a pena sonhar, acredita que tu fazes com que valha a pena o sonho viver…


Sofia Cardoso
30 de abril de 2016