terça-feira, 26 de julho de 2016

RE-LA-TI-VI-ZAR

Escrever o meu livro implicou um exercício permanente de pensamento positivo, sob um olhar atento a tudo o que vi e vivi diariamente.
Essa perspetiva da realidade, motivadora de uma forma muito particular de ser e de estar, criou em mim um hábito que tão cedo não me largará. De modo que, todos os dias, quando algo me inspira, me marca, me alegra, sou imediatamente impelida a reconhecer que esse pormenor fez o meu dia, embora já não escreva diariamente.
Esta manhã vivi um momento especial. Daqueles bem simples que nos enchem o coração e que põem num canto qualquer preocupação.
Nem toda a gente tem a capacidade de lidar com a diferença, de enfrentar a provação. Eu admiro muito quem o faz e demonstra que se entrega totalmente de alma e coração.
Nós em família na praia, primos saudáveis e felizes a brincar juntos, lado a lado com crianças a quem a vida não deu a mesma liberdade.
Vieste ter comigo para me cumprimentar com a “tua” menina ao colo e comoveste-me mesmo… Felizmente estava de óculos escuros porque não me contive. A forma, também comovida, como falaste, a (ainda tão) curta história de vida que trazias ao colo e que comigo partilhaste mexeu comigo e corroborou a minha premente necessidade de valorizar cada vez mais tudo o que tenho (que já é tanto…) e relativizar tudo o que não tenho ou que já tive e deixei de ter.
A vida muda num segundo e nunca sabemos o que virá a seguir. Todos o sabem sobejamente mas nem todos o vivem conscientemente. Há que RE-LA-TI-VI-ZAR quase tudo o que de menos bom nos vai acontecendo porque há situações, realidades e condições muito complexas e até com essas se aprende a lidar. Nem sempre é fácil mas basta ser possível e vale tanto a pena…!
Não há como fugir do que a vida nos reserva mas podemos decidir como a queremos encarar. Se cabisbaixos, receosos e queixosos, se sorridentes, positivos e resistentes.
A atitude, sempre, a fazer toda a diferença e quanto mais se trabalha nela positivamente mais fácil se vai tornando efetivamente.
Acreditem, as circunstâncias só vos destroem até onde vocês o permitem.   


Sofia Cardoso
26 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

PORTUGAL!!!

24h depois, a serenidade. Há doze anos que tinha entalada esta felicidade. E acreditei mesmo que era desta. Não desanimei, nem censurei a Seleção após a sua primeira exibição. Não questionei, nem me lamentei.
Não tenho jeito para “Velha do Restelo”. Sou de convicções, de “feelings”, de firmes posições.
Em 2004, a derrota ficou-me atravessada e gravou-me na memória a imagem de mim mesma, no chão, ajoelhada, incrédula e frustrada, só superada pelas lágrimas do Ronaldo e pela sensação geral de uma Nação desolada.
Nunca tínhamos estado tão perto e faltou-nos mesmo só um bocadinho assim… E em casa, num ano que elevou a motivação e o orgulho nacional a um nível nunca visto.
Certo é que, desde então, a esperança se renova a cada quatro anos, a bandeira regressa à janela e o meu velhinho cachecol renova a sua função.
Este ano, talvez porque estou numa fase de regeneração interior, senti uma confiança diferente, desde o primeiro dia. Nunca duvidei e torci sempre com o mesmo entusiasmo até à certeza que firmei depois da meia-final. Quando percebi que o nosso adversário seria o país anfitrião, quando nos atacaram, menosprezaram e ridicularizaram, consegui ver um filme antigo com um final reescrito.
A conjuntura fazia adivinhar que seria a nossa vez de festejar.
A minha certeza era tão grande que ousei assumi-la por diversas vezes publicamente, quase soando a presunção. Era mera convicção mas daquelas que vem do fundo da alma, da ingenuidade ou simplesmente do coração.
Chegado o grande dia, a hora H e o momento crucial da lesão de Ronaldo, não vi o caso mal parado. Fiquei revoltada porque não seria a vitória sonhada mas redobrei a confiança porque perante a adversidade fomos nobres e valentes e perder seria uma barbaridade que estava definitivamente fora de questão .
Provámos que não custa sonhar mas também não basta. É preciso acreditar e, com todas as forças, lutar! Pegar nas armas (em todas e sem descriminar) e marchar. Com garra, com nível, humilde e justamente pô-los a andar.
Soubemos levantar o esplendor de Portugal e provar ao mundo que, sim, somos um país pequenino mas enorme em tradição e comunhão. Sabemos dar as mãos e até dar a mão aos adeptos adversários, respeitando a sua deceção.
Só um imenso respeito pelo espírito de Nação, faz cidades inteiras pararem, comunidades por todo o mundo festejarem e várias nacionalidades publicamente nos felicitarem.
Não somos onze milhões a celebrar… Somos uma só alma cuja riqueza não há milhões no mundo que consigam comprar.  
O meu imenso brigada aos nossos heróis que enfrentaram as brumas da memória e à glória desta vitória nos guiaram.

   







Sofia Cardoso
11 de julho de 2016

sábado, 9 de julho de 2016

Deus quis, eu sonhei, a obra nasceu…!
É com enorme alegria e gratidão que partilho convosco o meu sonho tornado realidade:


Este livro resulta de um ano de muito trabalho interior, de uma entrega diária, sentida, por vezes difícil… Espelho do que a minha vida tem de mais simples e, por isso, mais importante: pessoas e momentos. O desafio agora é reconhecerem-se neles…
Muito obrigada a todos (muitos de vós…) quantos me serviram de inspiração em cada pormenor e à Capital Books que me conduziu tão bem até aqui.

Sofia Cardoso
05 de julho de 2016

sábado, 2 de julho de 2016

Até sempre...!

Depois de um dia como o de ontem, fico sempre num reboliço interior. E o que faço para sossegar? Escrevo, naturalmente.
Voltei àquela casa, a convite, supostamente apenas por seis meses, seis anos depois da primeira experiência por lá. Fiquei cinco anos…
Cinco anos muito cheios, muito emotivos, onde houve de tudo um pouco: riso, choro, união, desilusão… Onde fiz um pouco de tudo: fui apoio das colegas e seus alunos, prestei alguns serviços administrativos pontuais, vigiei recreios, dei aulas de Expressão Plástica, fui revisora, jornalista, conselheira, cenógrafa… Onde recebi de tudo: carinho, compreensão, amizade, chamadas de atenção, elogios e uma ou outra lição.
Nem sempre foi fácil ou mesmo gratificante porque é complicado o meio da educação.
Sempre disse aos meus alunos que os tratava como meus filhos. Ora, se nem sempre é simples ser mãe das minhas próprias filhas, em quem invisto tudo, dia após dia, e mesmo assim enfrento obstáculos e sou constantemente testada, mais difícil se torna ensinar/educar sobre educação dada por outrem e todos os miúdos têm as suas particularidades e o seu contexto de vida, como de resto todos nós.
Foi, sim, sempre desafiante, imprevisível, emocionante. Nenhum dia foi igual a outro e, para além de se ensinar ou, em segunda linha, educar, também muito se aprende com os miúdos. O que têm de melhor é, sem dúvida, a sua espontaneidade. O que mais nos dificulta a tarefa é, muitas vezes, a sua impulsividade.
Fui muito mimada e também muito testada. Fui muito companheira e também muito “pouco porreira”. Fui muito compreensiva e também muito incisiva. Fui muito paciente e também muito impaciente. Tudo a seu tempo, atendendo às circunstâncias e procurando dar o meu melhor para fazer o melhor deles.
Devo ter acertado muitas vezes e falhado outras tantas porque não sou perfeita. Como toda a gente, tive dias maus e fui trabalhar (quase) sempre de sorriso no rosto. E quando estava mais triste, e eles percebiam mesmo sem querer porque sou transparente, procurava alento nos seus sorrisos que nunca me faltaram.
Ontem fechou-se um ciclo e creio que da melhor maneira e na melhor altura. Muito mais do que qualquer presente que tenha recebido, levo no coração todas as emoções e recordações que estes anos me proporcionaram e, no fim, as palavras de reconhecimento que tanto me emocionaram e que outro tanto compensaram.
Sinto-me muito grata por tudo o que com a equipa, com os pais e, acima de tudo, com as crianças, vivi, ganhei, aprendi e partilhei. Desejo a todos o melhor e, em particular aos mais pequenos que por mim passaram, sobretudo que deem sempre o melhor de si.
Eu estarei por aqui…


Sofia Cardoso
02 de julho de 2016