quinta-feira, 18 de agosto de 2016

40, a sério?!?!

Era uma vez uma miúda que adotou o melhor amigo do irmão…
A mesma miúda que entrou na tua vida há cerca de 26 anos e que se instalou no melhor lugar que encontrou.
O mesmo lugar privilegiado que daí até hoje lhe tem permitido partilhar mil e uma experiências contigo.
As mesmas experiências que nos fizeram crescer juntos, da pré-adolescência até à idade adulta.
Um crescimento feito de histórias com episódios intercalados de drama e comédia.
Drama e comédia que sempre tão bem soubeste partilhar porque a tua disponibilidade não tem limites e, sempre presente, conseguiste estar.
Uma presença que nunca conheceu distâncias porque de Sintra ao Algarve, passando maioritariamente por Lisboa, nunca deixámos de nos apoiar.
Um apoio incondicional de quem corre lado a lado, não para ganhar, mas pelo simples prazer da corrida partilhar.
Uma partilha que soma muito mais do que corridas. Soma emoções, lições e (vá lá, tenho que dizer…) umas belíssimas refeições, a pretexto de desabafos ou comemorações.
Para desabafar, comemorar, ajudar ou simplesmente da vida desfrutar, estás sempre aí, com uma paciência admirável e inigualável.
A paciência de quem comigo subia a serra; de quem apadrinha; de quem até o nosso animal de estimação (que até a ti devo a alegria de ter encontrado) ajuda, no seu último dia, a devolver à terra; de quem ténis me ensinou a jogar; de quem me ensinou a conduzir; de quem tem sempre um spot novo para me apresentar; de quem comigo nunca precisou de discutir; de quem se levanta de madrugada para ao aeroporto me levar; de quem, de mim, conseguiu ainda nunca se fartar…
E não te fartas porque a tua dedicação, carinho e preocupação, a par do teu (muito) bom feitio, tranquilidade e bom coração, fazem de ti uma pessoa realmente especial e isso não vai nunca depender da tua idade.
Idade linda, a que hoje completas, e que desejo te complete a ti com o que mais desejas, para seres muito feliz a partir daqui.
Daqui, deste momento em que esta tua amiga e afilhada te reafirma que gosta muito, muito, de ti e que espera estar sempre aqui.
Podia dizer muito mais e talvez até muito melhor mas releva muito mais o que vamos vivendo do que o que sobre isso for escrevendo, ainda que já faças parte incontornável de um livro que eu conheço, só porque o laço que nos une é infindável.
E agora, siga pelos quarenta a abrir caminho para esta miúda que está sempre três passos de ano atrás, cronologicamente, mas que te seguirá sempre muito atenta e orgulhosamente.  
Sofia Cardoso
18 de agosto de 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

(Sobre)viver no Algarve em agosto

É sabido e inegável que o Algarve é uma confusão em agosto. Só que para muitos é também difícil ou impossível sair dele, uma vez que aí residem e trabalham.
Entendo, na pele, o que isso implica e, para não me limitar a queixar-me como toda a gente, arranjei os meus próprios escapes.
Assim, o maior e mais simples segredo é: se não os podemos vencer… Evitemo-los!
Comecemos, então, pelas necessidades elementares: comer e dormir.
Para ter a casa provida de tudo o que precisamos, o melhor é fazer umas compras alargadas, qual formiga em versão verão, e encher a despensa. Nesse sentido, obviamente temos que enfrentar aquela temível fera que nesta altura engole dezenas de pessoas de uma só vez, mais conhecida por supermercado (ou se for mesmo um monstro, hipermercado). O meu conselho: hora de abertura (ao sábado, se o horário de trabalho não o permitir durante a semana).
Depois, temos a questão do conseguir dormir. Se morarmos num local especialmente concorrido e propenso a barulho noturno, sugiro a TV ligada até adormecer (algumas até desligam automaticamente por inação ou podem ser programadas para tal). Se preferirem, uma música suave também é boa ideia. Ainda assim, se o desespero for muito… Tampões nos ouvidos! (Nunca precisei).
Bem, se tivermos mantimentos e conseguirmos dormir, já é meio caminho andado para nos aguentarmos este mês.
Se quisermos ir mais longe e gozar de alguns privilégios, não desconsideremos a praia ou uma ida a um restaurante. Como? Fácil. Tendo carro e um horário decente, é deixar logo de manhã no carro o que precisamos e depois sair do emprego diretamente para a praia. Se for fim-de-semana, mais motivos teremos para ir só ao fim do dia. A maioria das pessoas já estará “no vir” e nós ainda “no ir”. E se, mesmo chegando quase às 18h, ainda estiver muita gente (nunca está) é só andar uns metros para a esquerda ou para a direita da área concessionada (faz-nos bem o exercício, especialmente se gostarmos de Bolas de Berlim…) e teremos de certeza todo o espaço e sossego de que precisamos. (Com km de areal, não há realmente necessidade de ficar em cima de ninguém!)
Toalha estendida, aconselho a desfrutar, pelo menos, até ao pôr-do-sol. Os outros (os de fora) já se foram, stressados para arranjar mesa no restaurante X, Y ou Z e nós ajeitamos qualquer coisa prática quando chegarmos a casa e não temos pressa para ir tomar duche e escolher o modelito para o jantar.
De qualquer forma, como também somos filhos de Deus, se não nos apetecer pensar em nada e tivermos uns trocos no bolso, podemos sempre comer qualquer coisa rápida algures no caminho para casa.
Querendo ir ainda mais longe e darmo-nos ao luxo de jantar num bom restaurante, sem problema. É só optar por um daqueles que reservam mesa e marcar com a devida antecedência. Filas é que não!
Por falar em filas, no que toca ao trânsito, evitem a estrada nacional e sejam particularmente pacientes. Se possível, optem por andar a pé em curtas deslocações.
Resumindo, façam o que fizerem, sobretudo não se enervem ou se queixem porque enervados já vêm muitos dos que estão de férias e não podemos deixar de reconhecer que este paraíso, suas praias e restaurantes são todos nossos nos restantes onze meses do ano.
E sabem de onde vem a inspiração para este texto? Do facto de hoje ser aquele dia horrendo em matéria de multidões, chamado domingo e serem 19h30m e eu estar sossegadinha a escrever, na praia, onde cheguei pelas 17h30m, onde ainda tenciono ler até o sol desaparecer e neste momento estar a ficar cada vez mais isolada porque estão (quase) todos em debandada.
Já não está um calor insuportável, só oiço o mar e é verdadeiramente agradável.
E quando o sol se puser, lá para as 20h30m, eu regressarei calmamente, a minha casa, a escassos 15min de carro, tomarei um duche sem pressa, comerei qualquer coisa com mais tempo ainda e deitar-me-ei relaxada, prontinha para o que a semana trouxer.
Quanto melhor aproveitar estes dias, mesmo estando a trabalhar, mais depressa o tempo vai passar e, quando der por mim, está o nosso querido mês de agosto a terminar. 

   
Sofia Cardoso
07 de agosto de 2016

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Cartas... Que saudades!

A tecnologia suplantada pela saudade da tradição…
Depois de receber uma vídeo chamada, fui rapidamente levada a bons velhos tempos, onde se escrevia à mão e não se teclava.
E a evolução dos tempos tem coisas mesmo curiosas. Eu, que hoje em dia sou completamente avessa a fazer amigos pela internet e não aceito ninguém como amigo no Facebook que não conheça de facto, fiz um amigo há mais de 20 anos e um perfeito desconhecido na altura, através de uma cadeia de cartas – uma espécie de rede social à moda antiga que já nem sei como começava mas que fazia jovens de todo o país trocarem postais.
Com esta recordação que data de 1994 (!), veio-me uma imensa saudade das cartas e postais que tanto escrevi e tanto recebi, de amigos e familiares, nos tempos em que o telemóvel nem era um sonho, quanto mais uma necessidade e o computador ainda não era uma social realidade.
Sempre gostei de escrever, de comunicar, de estar em contacto com as pessoas. E se agora é tudo imediato e por um lado se encurtam (ou dissimulam) as distâncias, por outro, nada se compara à emoção de esperar dia após dia e espreitar a caixa do correio para saber se havia novidades. E quando havia, já só se pensava em escrever de volta porque quanto mais depressa se o fizesse, mais depressa viria nova resposta.
Perdida nestas recordações, fui buscar aquela caixa fechada há tempo demais no alto do armário da lavandaria e abri um poço de palavras escritas que me fizeram rir e chorar. E havia tanto para relembrar e apreciar…!
Encontrei correspondência de pessoas que já nem sei quem são e daqueles que até hoje guardo no meu coração mas cujas palavras não me lembrava de tão distantes que estão.
É estranho… Estamos todos tão mais perto, é tudo tão mais rápido e comunicamos cada vez menos profundamente… É sempre o básico, só para combinar isto ou aquilo ou tratar de alguma questão mais urgente.
Admiro e usufruo muito da tecnologia e do que nos permite atualmente. Adoro, por exemplo, o poder imediato das imagens que podemos fazer chegar a qualquer parte do mundo, em qualquer momento, mas confesso que sinto muita falta do poder das palavras. Na sua essência, com amor, sem urgência…  


Sofia Cardoso
04 de agosto de 2016