sábado, 28 de janeiro de 2017

Outro olhar

A facilidade em estar perto do mar,
O nascer do sol visível do primeiro andar.
A beleza das amendoeiras em flor,
O imenso céu azul e o calor.
A riqueza do peixe fresquinho,
E o marisco a abrir caminho.
A tranquilidade e o ar puro,
A sensação de viver seguro.
O chilrear dos pássaros ao acordar,
A lua cheia, o oceano a iluminar.
O mágico arco-íris, tão frequente,
O céu estrelado de presente.
As dunas a venerar a serra,
As gaivotas no mar ou em terra.
Os gelados caseiros no verão,
O pôr-do-sol sempre sensação.
As cegonhas nos seus ninhos,
As aparições fugazes de golfinhos.
As praias de falésias ou as ilhas,
E as suas respetivas maravilhas.
A Ria Formosa e a sua biodiversidade,
O Algarve sob o olhar da simplicidade.











Sofia Cardoso
28 de janeiro de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Old Story

Recuo quase duas décadas até ti, parecendo-me quase impossível que tenham passado estes anos todos desta recordação incontornável…
Lembro-me muito mais de sentimentos do que de factos ou momentos e a sensação que persiste é sempre tão agradável…
De todas as pequenas (sempre grandes) paixões que vivi, esta foi sem dúvida a que maior sintonia revelou e a que mais me surpreendeu e realizou porque foi tudo inesperadamente tão bem gozado…
Não te procurei, encontraste-me, ou encontrámo-nos, num caminho com pouco em comum. O essencial, na altura. E nunca uma atração foi tão bem correspondida, porque mutuamente quase imediata, sem que tivesse sido preciso ponderar antes ou questionar depois.
Só lamento não me lembrar dos pormenores, aqueles pequenos nadas que revelam a outra parte de tudo o que realmente foi. O primeiro beijo que me deste, por exemplo, esfumou-se… Mas não a primeira vez que me abraçaste porque foi aí que tudo começou. Naquele instante, o tempo parou. Daí em diante, infelizmente, voou…
Foram dias vividos de coração cheio, de espírito leve, de sorriso brilhante.
Na verdade, toda eu andava radiante…! Tudo parecia tão mais colorido aos meus olhos transparentes de emoção.
Não foi um bonito e longo amor. Foi uma linda e efémera paixão que sucumbiu sob a força de uma ilusão.
Não recordo exatamente quanto tempo durou, nem interessa pois, o bem que me fez, foi o que ficou. E acabou tão repentinamente como começou. Só porque sim ou porque não estava destinado que seguisse adiante ou simplesmente porque havia algo a mais de que não te soubeste libertar. Azar o teu ou o meu e sorte de ambos pela oportunidade irremediavelmente fascinante.
Quando, onde e em que circunstâncias nos vimos ao vivo e a cores pela última vez? Também não me lembro. Só sei que ainda me vens à memória aqui e ali. Por isso, inegavelmente, escrevo sobre ti.
Porquê agora? Também ainda não percebi… Talvez apenas saudades de um tempo que não esqueci. 


    Sofia Cardoso
08 de janeiro de 2017

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Uma questão de honra...

A sociedade do “eu-quero-posso-e-mando” está a encher egos e a vazar consciências…
O egocentrismo não está a abrir mentes. Está a fechar corações. A enclausurar valores…
Noutros tempos, quando se assumia um compromisso, fosse de que natureza fosse, levava-se o mesmo até ao fim porque se conhecia bem o significado da palavra HONRA. Experimentem perguntar ao jovem mais perto se vos sabe explicar o conceito. [Pois é…]  
Resumindo as suas múltiplas definições, basicamente, refere-se ao “sentimento do dever, da dignidade e da justiça.” Dignidade, respeitabilidade…
O respeito por um compromisso assumido não deve ser posto em causa por dá cá aquela palha. Existem pessoas, projetos, trabalho desenvolvido, relações, sentimentos, direitos e obrigações sob os comprometimentos, sejam eles pessoais, profissionais, escolares, familiares, bilaterais ou universais. 
É preciso que a educação não ceda à vulnerabilidade das vontades, para não dizer caprichos, de quem ainda está a crescer e a aprender ser, sob pena de um dia não se saber comprometer. E o comprometimento, a responsabilidade, são essenciais à relação com o outro em sociedade.  
Haverá poucos compromissos vitalícios (exceção feita aos casamentos ou relacionamentos familiares ditos perfeitos), nem os defendo cegamente. Preocupam-me sobretudo os compromissos a prazo que quando quebrados negligentemente ferem legítimas expectativas de alguém, atropelando o que está certo para chegar mais rápido à satisfação de um desejo com gozo direto.
A vida dá as suas voltas e sempre me agradou a ideia de mudança. Só não sou conivente com a falta de respeito que possa estar subjacente. Portanto, tudo a seu tempo e honradamente.




Sofia Cardoso
05 de janeiro de 2017