domingo, 8 de janeiro de 2017

Old Story

Recuo quase duas décadas até ti, parecendo-me quase impossível que tenham passado estes anos todos desta recordação incontornável…
Lembro-me muito mais de sentimentos do que de factos ou momentos e a sensação que persiste é sempre tão agradável…
De todas as pequenas (sempre grandes) paixões que vivi, esta foi sem dúvida a que maior sintonia revelou e a que mais me surpreendeu e realizou porque foi tudo inesperadamente tão bem gozado…
Não te procurei, encontraste-me, ou encontrámo-nos, num caminho com pouco em comum. O essencial, na altura. E nunca uma atração foi tão bem correspondida, porque mutuamente quase imediata, sem que tivesse sido preciso ponderar antes ou questionar depois.
Só lamento não me lembrar dos pormenores, aqueles pequenos nadas que revelam a outra parte de tudo o que realmente foi. O primeiro beijo que me deste, por exemplo, esfumou-se… Mas não a primeira vez que me abraçaste porque foi aí que tudo começou. Naquele instante, o tempo parou. Daí em diante, infelizmente, voou…
Foram dias vividos de coração cheio, de espírito leve, de sorriso brilhante.
Na verdade, toda eu andava radiante…! Tudo parecia tão mais colorido aos meus olhos transparentes de emoção.
Não foi um bonito e longo amor. Foi uma linda e efémera paixão que sucumbiu sob a força de uma ilusão.
Não recordo exatamente quanto tempo durou, nem interessa pois, o bem que me fez, foi o que ficou. E acabou tão repentinamente como começou. Só porque sim ou porque não estava destinado que seguisse adiante ou simplesmente porque havia algo a mais de que não te soubeste libertar. Azar o teu ou o meu e sorte de ambos pela oportunidade irremediavelmente fascinante.
Quando, onde e em que circunstâncias nos vimos ao vivo e a cores pela última vez? Também não me lembro. Só sei que ainda me vens à memória aqui e ali. Por isso, inegavelmente, escrevo sobre ti.
Porquê agora? Também ainda não percebi… Talvez apenas saudades de um tempo que não esqueci. 


    Sofia Cardoso
08 de janeiro de 2017

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