sábado, 24 de junho de 2017

Força

Já me perguntaram muitas vezes de onde vem esta capacidade de sorrir em (quase) qualquer circunstância, mesmo em face dos momentos mais difíceis.
Muito bem, vou dar-vos a pólvora. Acreditem ou não, a força do meu sorriso vem da minha capacidade de chorar.
É verdade. Penso, sinto e choro muito com os meus botões e isso é uma coisa boa. Permeabiliza o coração, liberta a alma do que a preocupa, do que entristece, do que trava… Mas não só! Também penso, sinto e choro quando enriqueço o espírito de emoções boas. Quando os meus olhos se enchem de algo que admiro muito; quando pelos meus ouvidos entra aquela melodia que me arrepia os poros todos; quando sou alvo de um gesto ou uma palavra que me toca profundamente…
Raramente me defendo da vontade de chorar porque raramente consigo, até porque acredito que a melhor defesa em relação a alguns acontecimentos inimigos que invadem a tranquilidade da nossa vida é, muitas vezes, precisamente o derrubar de muralhas. Enfrentando, deixando os sentimentos tomarem a frente de combate e fazer do escorrer das lágrimas o desarmamento de chatices com que se vão vencendo batalhas, uma após outra, porque a vida dá-nos tréguas mas a luta é até ao fim.
De sorriso no rosto, ilumino o meu próprio caminho, abrindo os braços a cada emoção com que me deparo, retendo no coração o que me fortalece e, sem vergonha ou receio, deixando que as lágrimas levem o que me enfraquece.


Sofia Cardoso
24 de junho de 2017