Uma das muitas coisas que encontrei de diferente e que estranhei quando me mudei de Lisboa e fui recebida no Algarve foi a proximidade (para não dizer promiscuidade) de tratamento entre as pessoas. No início, achei ingenuamente que ainda parecia uma miúda (com 23 aninhos, não deixava de o ser, de facto) e que talvez fosse por isso que, a qualquer lado que fosse – uma loja, uma pastelaria, um supermercado… – os funcionários me tratassem quase sempre por tu. Parecesse uma miúda ou não, fazia-me imensa confusão. Por uma questão de educação, de respeito. Não era assim que estava habituada a que as coisas funcionassem em sociedade, entre pessoas que não se conhecem, ou que se conhecem formalmente e não se relacionam, sobretudo havendo diferença de idades digna de consideração. Eu mesma já trabalhei atrás de um balcão de uma loja, nos tempos livres, durante a faculdade, e nunca me passou sequer pela cabeça tratar qualquer cliente que lá entrasse por tu. Só que aqui não é bem assim. É ...