Desumanidade
Chamem-se ingénua, “Sofia no País das
Maravilhas” ou o que quiserem mas a crueldade do mundo é algo que ainda me
surpreende e choca como se achasse ser possível haver limites para ela. Por
mais que saiba que existe, que o mal é uma realidade do mundo em que vivemos,
tal como o bem.
Só que uma coisa é saber que existem seres
humanos bons e maus. Outra, bem diferente, é aceitar que existem seres humanos com
alma de monstros (ou deveria dizer sem alma?). Nem lhes chamarei bichos ou
animais porque até esses, na sua irracionalidade, por vezes demonstram uma
qualquer espécie de afeto para lá do instinto, mesmo os mais selvagens. Há
inúmeros relatos disso.
O que passará na cabeça de alguém (vezes três!!!) para
entrar no local de trabalho (trabalho honesto, apadrinhado pela liberdade de
expressão, democraticamente instituída como direito básico de qualquer cidadão…)
de compatriotas ou semelhantes, exatamente com os mesmos direitos, e atirar a
matar?! Terão essas bestas exatamente o quê no lugar do coração e da
consciência? O que faltou na sua vida para aprender a amar ou pelo menos
respeitar o próximo, no mais básico da sua existência, a vida?!
Que tipo de justiça vai julgar e que tipo de
destino deve ser dado a estas três vidas que destruíram doze famílias e sei lá
quantas outras inerentes vidas? É absurdo este mundo em que vivemos… Nós somos
absurdos!
Por alguma razão não segui eu a carreira de
advocacia e nunca o Direito Penal. É muito difícil digerir determinadas
condutas, quanto mais defender quem as pratica ou acusá-las e depois dar-lhes
um destino que nunca remediará o irreversível.
Se é duro refletir sobre isto, quão violento
será experienciar na primeira pessoa algo sequer parecido…?
Como é possível que ainda consigamos ser
surpreendidos com os limites ultrapassados da violência e da bestialidade de
que o ser humano é capaz? Há situações verdadeiramente surreais e tão realmente
verdadeiras…
E pensar que quando nascemos, somos todos igualmente
vulneráveis… Até quando? O que transforma crianças eventualmente um dia dóceis em
adultos abomináveis…?
Sofia Cardoso
07 de janeiro de 2015

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