Força

Já me perguntaram muitas vezes de onde vem esta capacidade de sorrir em (quase) qualquer circunstância, mesmo em face dos momentos mais difíceis.
Muito bem, vou dar-vos a pólvora. Acreditem ou não, a força do meu sorriso vem da minha capacidade de chorar.
É verdade. Penso, sinto e choro muito com os meus botões e isso é uma coisa boa. Permeabiliza o coração, liberta a alma do que a preocupa, do que entristece, do que trava… Mas não só! Também penso, sinto e choro quando enriqueço o espírito de emoções boas. Quando os meus olhos se enchem de algo que admiro muito; quando pelos meus ouvidos entra aquela melodia que me arrepia os poros todos; quando sou alvo de um gesto ou uma palavra que me toca profundamente…
Raramente me defendo da vontade de chorar porque raramente consigo, até porque acredito que a melhor defesa em relação a alguns acontecimentos inimigos que invadem a tranquilidade da nossa vida é, muitas vezes, precisamente o derrubar de muralhas. Enfrentando, deixando os sentimentos tomarem a frente de combate e fazer do escorrer das lágrimas o desarmamento de chatices com que se vão vencendo batalhas, uma após outra, porque a vida dá-nos tréguas mas a luta é até ao fim.
De sorriso no rosto, ilumino o meu próprio caminho, abrindo os braços a cada emoção com que me deparo, retendo no coração o que me fortalece e, sem vergonha ou receio, deixando que as lágrimas levem o que me enfraquece.


Sofia Cardoso
24 de junho de 2017

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