sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Tempo de Antena

Últimos cartuchos de mais uma campanha eleitoral. Andava a evitar falar nela. Irritam-me sempre, todas elas, mas reconheço a sua necessidade, importância e inevitabilidade e por isso, cá estou.
Sei lá o que diga…! Talvez seja melhor começar por ser sincera e assumir de uma vez que não gosto de política. Nunca gostei. Nunca poderia seguir tal carreira, não tenho perfil, sou demasiado transparente…
Acho que o mais me irrita nas campanhas eleitorais (e na política em geral!) é a teatralidade que parecem assumir.
O objetivo é cativar a todo o custo. Nem interessa o que as pessoas, que os candidatos tanto param para cumprimentar, possam pensar. De resto, muito poucos serão aqueles que, deparados na rua com os candidatos, dizem o que realmente pensam! Interessa mesmo é cumprimentá-los de forma bem sorridente porque são importantes e a televisão está a filmar! (Nem sempre será assim, clara e felizmente!)
E depois também me irrita o tom com que se discursa. Parecem todos uns profetas a anunciar a salvação (que não chega nunca!) Uns mais utópicos que outros, é certo, mas todos muito pouco “terra a terra”, muito pouco objetivos, demasiado floreados. Daí que não vejo resultarem destes (poucos) dias grandes efeitos práticos. (Serei só eu?)
O povo lá tem as suas ideias, os seus juízos feitos, muito à parte do que possa ser argumentado em campanha. E quem não tem acaba por ficar na mesma, pouco esclarecido/convencido. Honestamente, creio e receio que a maioria da população…
Contudo, o que me irrita mesmo, mais do que tudo, é o ataque pessoal, os debates que focam tudo menos o que realmente interessa ao país… Nem a competência e imparcialidade dos (bons) jornalistas salva a imagem que passam nessa altura. Que tristeza, que desalento…
O problema talvez seja meu, sou demasiado idealista para me conformar com certas condutas ou inércias.
De qualquer forma, a mensagem mais relevante, crucial mesmo, a reter nesta fase é: VOTAR, sempre e acima de qualquer irritação! Exercer o nosso próprio direito de antena para não deixar, em mãos alheias, a decisão!


Sofia Cardoso
22 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

À Vontade...

Uma das muitas coisas que encontrei de diferente e que estranhei quando me mudei de Lisboa e fui recebida no Algarve foi a proximidade (para não dizer promiscuidade) de tratamento entre as pessoas.
No início, achei ingenuamente que ainda parecia uma miúda (com 23 aninhos, não deixava de o ser, de facto) e que talvez fosse por isso que, a qualquer lado que fosse – uma loja, uma pastelaria, um supermercado… – os funcionários me tratassem quase sempre por tu. Parecesse uma miúda ou não, fazia-me imensa confusão. Por uma questão de educação, de respeito. Não era assim que estava habituada a que as coisas funcionassem em sociedade, entre pessoas que não se conhecem, ou que se conhecem formalmente e não se relacionam, sobretudo havendo diferença de idades digna de consideração.
Eu mesma já trabalhei atrás de um balcão de uma loja, nos tempos livres, durante a faculdade, e nunca me passou sequer pela cabeça tratar qualquer cliente que lá entrasse por tu.
Só que aqui não é bem assim. É tudo muito mais à vontade, senão mesmo “à vontadinha”. Não gosto, em regra, porque não acho respeitoso e nada simpático. A intimidade é algo que se conquista, não se invade e nem é para toda a gente. O contexto, o civismo e a proximidade entre as pessoas devem pontuar o relacionamento entre as mesmas.
No entanto, posso dizer que me habituei a mais esta mudança e que passei a não dar importância porque a verdade é que nunca confrontei ninguém por causa disso, ainda que tenha havido ocasiões em que me tenha apetecido bastante fazê-lo. Preferi sempre pensar que é uma questão cultural, meio provinciana talvez, que poderia acatar, nem que fosse só para não me chatear.  
Certo é que, mesmo ultrapassada a barreira dos 35 anos, me continuam a tratar por tu de vez em quando e há um sítio onde uma senhora o faz de forma tão peculiar que confirma haver sempre uma exceção à regra (no caso, à minha forma de pensar).
Esta senhora (veem, nem a escrever eu uso “ela” para lhe fazer referência…) trabalha numa bomba de gasolina de onde esta semana saí a sorrir, à custa de uma situação atípica de tu cá, tu lá.  
Já parei na dita bomba uma meia dúzia de vezes, mais ou menos à mesma hora, e costuma estar lá sempre a mesma funcionária, cujo nome ainda não decorei, apesar de constar de um crachá na sua farda.
A senhora é bastante simpática. Daquelas que está sempre a sorrir e cuja atenção e conversa-bónus com os clientes lhe dariam com facilidade o prémio de empregada do mês.
Na verdade, diz sempre mais qualquer coisa do que o essencial e, lá está, trata-me sempre por tu. Só que, naquele dia, a propósito dos vários talões que tinha do hipermercado associado à marca de combustível para acumular pontos, até brincou comigo sobre o que eu devia gastar em comida e, ao emitir-me a fatura, verificando o nome, atropelou o “tu” e passou diretamente a tratar-me por Sofia, como se nos conhecêssemos há anos. «Obrigada, Sofia! Boa viagem, Sofia! Boa semana, Sofia!»
Confesso: achei-lhe um piadão porque o fez de uma forma divertidamente amável, de forma alguma abusadora ou censurável.
É tão entusiasta no trabalho e tão sorridentemente agradável que não houve forma de sair dali ofendida. Achei-lhe tanta graça que saí antes com um sorriso no rosto, a ponto de as minhas filhas repararem e perguntarem porque estava a abastecer a rir, embora, verdade seja dita, eu fosse incapaz de ter lata de fazer o mesmo se estivesse no seu lugar.
Vou, definitivamente, voltar a parar naquela bomba a caminho de casa porque sei que uma pessoa assim me pode alegrar o dia só pela sua simpatia, como sei também que nem toda a gente tem o carisma necessário a poder agir nestes termos, sem que os outros considerem que se esteja a “esticar.”


Sofia Cardoso
10 de janeiro de 2016

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

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Muito começa com o número um e a grande vantagem de começar seja o que for é a expectativa do muito que de bom possa estar para vir.
Confesso que não gosto nada de previsões e/ou prognósticos, acho que sequer de intenções. São demasiado definitivos, comprometedores mesmo. Além disso, tenho a ideia que na maior parte dos casos, passado algum tempo já ninguém se lembra deles.
Ainda assim, tenho consciência que esta é uma tendência generalizada quase inevitável. Aproveitamos sempre a mudança (mesmo que se trate apenas de um algarismo) para querer consertar tudo, a pretexto. É legítimo e aprecio ideias positivas mas quando levadas a sério e se concretizáveis.
Seja como for, eu opto por desejos, sonhos, resoluções transformáveis em ações, como objetivo final do pensamento positivo e da vontade de lutar. Contra o absentismo, o cinzentismo, em prol do otimismo, do dinamismo, tendo por armas um coração idealista sempre protegido por um cérebro realista.


Sofia Cardoso
01 de janeiro de 2016