sábado, 29 de novembro de 2014

Voltar "à terra"...

Há meses que não vou à terra…! “Vou à terra…” Adoro esta expressão mas continuo a achar que se adequa mais à situação de alguém que veio de um meio pequeno para a cidade grande. É que o meu caso é exatamente o inverso. O de alguém que saiu da cidade grande (“A” cidade grande!) para, justamente, a “terr(inh)a”.
Vendo bem, o que interessa a dimensão da terra… Desde que se trate da terra que nos viu nascer e viver grande parte da vida; desde que se trate da NOSSA terra, pouco mais há a dizer. Custa partir, anseia-se sempre regressar. É algo que se sente muito para além das palavras…  
Nós, portugueses, somos deveras saudosistas e eu, então, céus…! Pois, não sei se é intrínseco ao meu ser, se é mesmo uma coisa generalizada que faz parte de todos nós, especialmente aqueles que, como eu, já “partiram” sem data para voltar, mas sei que às vezes dói…
Por mais anos que passem e que gostemos do local que escolhemos para viver, parece que mantemos uma espécie de cordão umbilical eterno com o local onde nascemos e fomos criados.
Não que isto seja uma coisa má. Claro que não é porque o ser humano precisa de raízes, de se identificar com alguma coisa, de criar laços com os locais e as pessoas.
Contudo, custa… Não é fácil porque, de repente, damo-nos conta das potencialidades desse local que deixámos para trás, de possibilidades que antes eram banais porque estavam sempre lá mas que, ao deixarem de estar, nos fazem sentir que as perdemos e a sensação de perda nunca é boa…
Só que depois vem o lado bom da história: o regresso… Quando se sente a falta de algo e, nem que por breves momentos (horas ou dias, tanto faz!), se tem a possibilidade de voltar e fazer o que se gosta e não se tem oportunidade onde vivemos, acima de tudo, estar perto de quem regularmente está longe… Enfim, aquilo a que, basicamente, se chama: “matar saudades”… E sabe tão bem…!
Diz-se que só damos o devido valor às coisas quando as perdemos. Talvez… Mas, quando perdemos por opção, não perdemos verdadeiramente, abdicamos e por isso não há que temer. Há que partir, seguir o coração... Ele guia-nos sempre, mesmo que isso implique deixar na “terra” a razão. 


                                       
Sofia Cardoso
29 de novembro de 2014

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