sábado, 3 de janeiro de 2015

Manas

Uma criança pode ter um quarto cheio de brinquedos mas nenhum lhe dará tanta diversão como um irmão.
Tenho como certo que, entre tantas outras riquezas que engrandecem a vida dos miúdos, ter pelo menos um irmão será, incomparavelmente, das melhores.
Tomo de exemplo a relação a que assisto, da primeira fila da plateia, diariamente. Aquilo que as une é tão especial…
Ser a mais velha tem tanto de privilégio como de responsabilidade e ela supera as expectativas pela forma como lida com a mais nova, que gosta de esticar a corda e de lhe testar a paciência. Ainda assim, não desilude.
É uma bênção e um orgulho vê-las crescer juntas, na cumplicidade de olhares que só elas percebem, na amizade que mutuamente sentem, na alegria com que se divertem e até na forma como, na parvoíce, me enlouquecem!
A mais velha protege a mais nova quando a sente triste, acarinha-a em qualquer circunstância, ensina-lhe orgulhosamente o que já aprendeu, educa-a para a consciência do que está certo ou errado, seguindo o exemplo que recebeu.
A mais nova, absorve tudo, provoca, pede sempre mais limites, atenção e mimo, embora também o dê e muito, pois tem tanto de reguila como de doce e sabe tão bem arreliar como amaciar.
Nem sempre é fácil porque os feitios são diferentes. No entanto, elas encaixam-se, resolvem, na maioria das vezes, os próprios conflitos e são estes que igualmente as ajudam a crescer, a respeitar, a perdoar…
Brincam e jogam a tudo o que faz parte da idade; assistem aos programas da atualidade; riem e choram com a mesma espontaneidade; vivem os dilemas típicos da sã rivalidade, mantendo cada uma a sua individualidade; implicam uma com a outra com toda a naturalidade; zangam-se e fazem as pazes com a mesma sinceridade e se calhar ficarão impossíveis na puberdade, só que não prescindem da companhia uma da outra em qualquer atividade…
E de forma cúmplice, respeitadora do espaço e maneira de ser/estar de cada uma, só terão a lucrar na vida com este eterno e único laço de fraternidade.










Sofia Cardoso

03 de janeiro de 2015

2 comentários:

  1. Mano há só um <3! Gostei muito do texto, fazes avivar memórias, sentir o coração... Quero abraçá-lo, AGORA!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fico muito feliz por isso, já que é pelo e com o <3 que escrevo. ;) Mto obrigada!

      Eliminar